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Quando esperança devia ser a primeira a morrer

por reporterdesaltosaltos, em 01.02.10

Há uns tempos atrás, ia eu a caminho de casa, liguei o radio (sim porque agora eu tenho um carro onde o radio funciona mesmo) sintonizei várias estações e parei na Antena 3. Estava a dar o programa “Prova Oral”. Não me lembro do tema mas nunca mais me esqueci de uma frase que ouvi. Qualquer coisa do género “por vezes a esperança devia ser a primeira a morrer”. Fiquei com esta frase na cabeça e andei a reflectir...

 

Eu sempre pensei grande. Sempre tive grandes sonhos, grandes metas, sempre quis mais, maior, melhor... Há uns anos tive mesmo um projecto megalómano. Mesmo megalómano! Mesmo! Nos EUA eu seria visionária e muito provavelmente bilionária. Mas eu vivo em Portugal - sim no “Portugal dos Pequeninos” - que na verdade eu amo e adoro e jamais trocaria.

 

Neste projecto fiz tudo o que podia e mesmo o que não devia para o alcançar (calma que não foi nada ilegal). Tentei, tentei, tentei... Investi, adaptei o sonho, readaptei, baixei a fasquia, comecei de novo e com o mesmo ânimo mas nada acontecia como eu tinha planeado. Claro que eu sou demasiado persistente. E continuei a tentar e a adaptar e a fazer o possível para tornar o sonho em realidade. Mas por mais que me esforçasse nada acontecia. E o pior é que pessoas como eu não desistem mesmoooo! Com 50% de hipóteses de sucesso eu acho fabuloso. Com 10% eu acreditava que era possível. Com 5% eu acreditava que ainda era possível. Com 1% eu acreditava piamente que na vida há excepções e o meu projecto podia ser uma delas. Com 0,25% de hipóteses eu ainda acreditava em milagres...

 

Mas um dia a percentagem baixou mais uma décima. E aí acabou. Eu fiquei de rastos! Fiquei mesmo zangada! Pelo menos – atenção - pelo menos... Um dia inteiro! Um desperdício! No dia seguinte estava a avaliar o que correu mal. Como ia melhorar. E qual era o próximo projecto.

 

Nesta avaliação percebi algo muito importante. Há claramente uma grande diferença entre ter um sonho e ter uma ilusão. Eu tinha uma ilusão. Um sonho é algo atingível. Depende de nós. Da nossa vontade. Se trabalharmos, se nos dedicarmos, se de facto queremos que aconteça ele torna-se realidade. Uma ilusão não. E foi aquela frase que me accionou esta memória.

 

 

Ouvi-a e estive uns dias a pensar sobre isto. Será que há momentos da nossa vida em que a esperança devia ser a primeira a morrer? Não só pela minha história. Mas pela de todos. Não era mais simples perder a esperança antes de começar projectos que (no fundo) sabemos que não vão dar certo? Não era mais simples não ter esperança quando se conhece um/a homem/mulher e ficamos de “quatro” mas não temos a mínima hipótese? Não era mais simples perder logo a esperança nas coisas que sabemos que são “armadilhas” do nosso cérebro?

 

Sim. Obviamente que sim. Era muito mais simples. Mas hoje olho para trás e agradeço por o meu sonho, ou melhor, por a minha ilusão, não se ter realizado. Acho que nunca o quis verdadeiramente. Porque sabia que as alterações que o sucesso deste projecto me trariam, implicavam uma mudança na minha vida para a qual eu não estava preparada... Estranho, certo?

 

Mais importante do que ser mais simples perder logo a esperança é perceber se vale ou não a pena tê-la? Valerá a pena aceitar uma luta perdida à partida? Ter esperança até ao fim? Ter uma fé inabalável? Acreditar puramente?

 

Tenho a certeza que sim. Porque é a vontade de ferro e a persistência contra todas as adversidades que originam o sucesso. Caso contrário tu não estarias a ler este blog. Não haveriam blogs. Nem internet. Nem computadores. Nem electricidade. É preciso ter coragem... Ser audaz... Sonhar alto! E claro... Ter a certeza que a esperança é a última a morrer!

  

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publicado às 22:26



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