Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Por falar em coisas sérias

por reporterdesaltosaltos, em 04.03.15

 

Não sei se conhecem a expressão mas a minha avó Amélia quando eu era miúda dizia-me que tinha língua de perguntador. Eu de facto estava sempre a perguntar coisas, necessárias, desnecessárias, apropriadas para a minha idade e outras profundamente impróprias e inconvenientes, de tal forma, que num caso particular originou indiretamente um divórcio… Enfim, essa é outra história… O que interessa é que eu perguntava tudo e mais alguma coisa. O que não teria mal não tivesse eu excesso de motivação.

 

Quando decidi que queria ir para Jornalismo, de repente, fez-se luz. Onde mais é que eu podia fazer perguntas à vontade, sem restrições e ainda por cima ser paga para isso? Mais do que uma escolha profissional, foi uma excelente forma de expulsar as minhas perguntas e matar as minhas curiosidades. Confesso que foi uma profissão que me deu muito gosto e muito gozo mas há sempre um dia em que as perguntas ou a vontade de perguntar se esgotam. E aí, aumenta a vontade de fazer coisas novas, noutro lugar.

 

O problema é que antes de chegar a outro lugar também nós temos de passar por um sem fim de perguntas, entrevistas, análises de currículos. Digamos que, no meu caso, se vira o entrevistador contra o entrevistado. Eu tive entrevistas péssimas com pessoas intragáveis, à maioria das quais deixei bem claro que com a minha personalidade (vá digamos) forte, o melhor era cada um seguir o seu caminho, antes que o entrevistador acabasse na capa de um jornal qualquer como vítima de violência laboral…

 

Tive entrevistas mornas em que dei o meu melhor mas o entrevistador era tão mau/mole que só me apetecia dar-lhe um par de estalos, abaná-lo com toda a força, gritar-lhe ao ouvido “Acorde!!!” e passar a ser eu a entrevistá-lo a ele! Também tive entrevistas muito boas e conheci pessoas excecionais com quem ainda hoje mantenho contato, tanto nos casos em que não ocupei a vaga como nos casos em que tive sucesso. A vida é isto mesmo. Um pouco de tudo.

observationdiary-quote-William-Jennings-Bryan-flat

Mas a história mais curiosa (vá divertida mesmo) aconteceu-me num Verão, já não sei se no ano passado ou se no anterior. A entrevista preliminar - numa famosa empresa de executive search - foi espetacular. Eu dominei do início ao fim, com à-vontade, confiança a 100%, só sorrisos. Chamaram-me para a segunda fase e aí fui entrevistada pelo vice-presidente de um grupo multinacional, um senhor italiano com idade para ser meu avô que falava inglês como poucos italianos conseguem. Até aqui tudo bem…

 

O senhor era extremamente simpático, elegante, muito dinâmico, rodeado de gadgets, alto nível de cultura geral. Top! Eu respondi à altura, criei empatia quase instantânea (coisa em que sou expert) brinquei, dominei a entrevista com respostas espetaculares, e a dada altura estava eu a liderar a entrevista e a fazer-lhe as perguntas. Ele achou piada, continuou, eu perfeitamente à-vontade, confiança a 100% - mentira era a 150% - só sorrisos até que ele me pergunta “Então e profissionalmente onde quer estar daqui a 5 anos?”.

 

E pronto. Foi assim que eu resolvi o assunto. Apenas com uma frase. “Daqui a 5 anos não faço ideia mas daqui a 3 quero ocupar o seu lugar”. Eu sorri naturalmente. O ar gelou imediatamente. E ele respondeu (isto é um parágrafo dedicado aos advérbios) muito friamente “Então ficamos por aqui e depois entraremos em contato, se for o caso” com um gesto de esgar no canto da boca. Claramente, não foi o caso. Aliás, enquanto ele educadamente quase me expulsou da sala, eu só tive tempo de dizer “Bye Bye” quando na verdade me apetecia dizer-lhe “Olha querido se não queres tu é que perdes!”. Mas fiquei lixada. Admito que fiquei. Porque o que eu queria dizer era qualquer coisa do género “Eu vou ser tão espetacular na minha função que quando tu fores presidente vais querer que eu seja o teu vice-presidente.” Mas ele não percebeu. Enfim, não tinha de ser.

 

Ultimamente e a propósito de entrevistas e empregos sinto que o destino me anda a testar com toda a sua força. Desde o início do ano que estou a trabalhar todos os dias, com muita paixão, muito estudo e investigação, muita dedicação e afinco para criar a minha empresa e o meu posto de trabalho. Está tudo a correr lindamente mas parece que o destino me está a testar mesmo porque desde os primeiros dias de Janeiro que quase todas as semanas me ligam com uma proposta de emprego. Não vale a pena. Eu tomei as rédeas do meu destino. A partir da agora levo tudo à frente! O meu destino está na minha mão!

 

Poxa que isto hoje foi conversa séria…  

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:13



Mais sobre mim

foto do autor


Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2011
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2010
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D