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Estou desejosa de chegar aos 40!

por reporterdesaltosaltos, em 11.03.15

 

A idade tem destas coisas... Ando nostálgica... O que é que eu posso fazer?... Quando eu era miúda o sonho da minha vida era ser mulher. Uma mulher alta, sexy e vaporosa. Sou sexy e vaporosa mas só sou alta quando uso sapatos com 12 centímetros de salto. E sou sexy porque sou tão desajeitada a andar neles que mais parece que faço de propósito, como se encarnasse a Marilyn Monroe que segundo consta cortava o salto de um dos sapatos para se pavonear melhor. E sou vaporosa. Até porque tenho asma. E se não faço vapores em plena rua, pelo menos ando com a bomba de corticoides para garantir que ninguém precisa de me fazer respiração boca a boca... 

 

Na adolescência passei a almejar a maioridade. Aí sim é que as pessoas iam ver quem eu era! Já podia fazer e dizer o que queria, ir onde me apetecia, gozar da liberdade com os meus longos cabelos ao vento. Eu achava que aos 18 anos ia ter o meu grande momento de afirmação e cantar ao mundo em género de rebeldia "Born to Be Wild". Fiz 18. Nada aconteceu. Tudo se manteve na mesma. A única diferença é que já podia votar e para grande orgulho meu já podia colocar o totoloto que na altura tinha de ser preenchido com nome completo e morada. Pronto também podia tirar a carta mas passaram-se vários anos até me apetecer fazê-lo... 

 

A partir daí fiquei sem objetivo etário. Os anos foram passando e quando cheguei aos 25 tive uma enorme crise existencial. Isto por causa do raio do peso das palavras. Um amigo de adolescência ao comemorar 25 anos disse que a partir do momento em que se fazia um quarto de século estávamos velhos, acabados e o fim, esse malfadado destino, estava por perto. E juro que foi tão forte o peso de "quarto de século", ou melhor, o peso da palavra "século" que deu cabo de mim. Eu sentia-me velha e cansada. Já me custava imenso fazer noitadas. No dia seguinte sentia-me como se não tivesse dormido durante uma semana seguida ou tivesse sido abalroada por um camião TIR. E tive de sair daquela onda do "quarto de século".

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Com o aproximar dos 30 comecei a perceber que haviam muitas mais vantagens que propriamente desvantagens. Aos poucos, fui-me sentido renovada e fazendo por isso. Assumi outro espírito. Fui desvalorizando alguns aspetos que na verdade não tinham importância nenhuma. Percebi que a vida é mais simples quanto mais simples nós a fazemos e a chegar mesmo "rente" aos 30 sentia-me melhor que nunca. Sentia-me mais nova, mais fresca, mais segura, mais descansada com a vida. É claro que o corpo, sobretudo com o meu histórico de acidentes, funciona de outra forma. Os ossos parece que estão mais lentos. Demoram mais a habituar-se ao frio e ao calor. Era como se eu me tivesse levantado da uma cadeira com rapidez quando na verdade ainda estava a ordenar o cérebro para me levantar... Dentro de 2 ou 45 minutos... 

 

Este ano fiz 36. Deve ser de eu ser Capricórnio - diz-se que nascem velhos e com um enorme peso de responsabilidade mas que com o passar do tempo se tornam mais joviais e brincalhões - mas sinto-me ainda melhor que aos 30 e cheia de vontade de chegar aos 40. Eu sei que todos acham que eu estou louca por estar desejosa de ficar mais velha... Mas eu já não vejo a idade como "ficar mais velha". Vejo a idade com "ficar muitíssimo melhor" a todo e qualquer nível. E tenho mais sonhos, cada vez mais sonhos, que são o meu motor e o motor da vida. Acho que são o que me faz sentir cada vez melhor. É esta capacidade de sonhar...

 

E no Carnaval de 2019, quando eu tiver 40 aninhos acabados de fazer, vou estar a desfilar no Sambódromo no Rio do Janeiro, com mais plumas e provavelmente menos roupa que a artista da foto acima. Eu não sei dançar samba e sou branquinha como a cal mas pela realização de um sonho eu trato do assunto. Até porque até lá ainda tenho 4 anos pela frente... E não sei onde fui desencantar este sonho. Acho que dos desfiles da Globo que passavam na RTP quando era miúda. Desde essa altura, juro que me visualizava a dançar em cima de um carro, cheia de plumas e brilhos espalhados pelo corpo e com as mãos a apontar para os céus, como se a agradecer a Deus e como se aquele momento fizesse parte do meu destino. Não sei porquê mas é uma coisa que tenho de fazer...

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publicado às 18:26


1 comentário

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De Ana Fonseca a 11.03.2015 às 22:38

Só tu!!! :-)))

E que venham muitos e muitos anos com este espirito e capacidade de correr atrás dos sonhos! E que contagies muitos a fazer o mesmo.

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