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E depois do final feliz?

por reporterdesaltosaltos, em 24.06.15

 

Eu cá estou uma pirosa do melhor. Gosto de comédias românticas e não é de hoje. Pronto, admito. Gosto. Mas não percebo por que é que acabam sempre no melhor, no ponto alto, e não há sombra do depois. Deve ser por alguma razão que raramente têm uma sequela... É para ficarmos com a ideia que o melhor de uma relação é lindo e maravilhoso e eles, o casal, viveram mesmo felizes para sempre…

 

Se houvesse uma sequela… Aquele casal maravilhoso, perfeito e apaixonado ia começar a ter problemas. Na primeira intimidade ia começar a perceber que partilhar espaço nem sempre é fácil. Que se calhar já não podiam dormir do lado preferido da cama porque esse lado era também o preferido da outra pessoa. Ia começar a fazer cedências, das mais pequenas às mais impactantes e começar a duvidar do futuro. A toalha molhada no chão ou em cima da cama, a pasta de dentes espremida pelo lado errado ou um copo de água fora do sítio são suficientes para uma batalha campal.

 

Numa sequela de uma comédia romântica as famílias de ambos teriam de se conhecer. É nestes momentos em que nos (ou a mim pelo menos) apetece desatar a correr pela porta correndo o risco de sermos amarrados num colete-de-forças e ser internados por tempo indeterminado numa instituição psiquiátrica. Quando conhecemos a família do outro ficamos a conhecer a genética, no melhor e no pior, na ausência de rugas ou no rol de doenças…

 

melhor-amigo-da-noiva-poster02.jpg

Ficamos a conhecer que na família dele há alguém completamente louco, alguém que sabemos que nunca iremos gostar ou que nunca irá gostar de nós. E pior, ele também saberá exatamente o mesmo sobre nós… E naqueles jantares de família obrigatórios, há risco de esgotamento emocional e da faca de estrinchar o peru voar sobre a mesa em direção a alguém, isto claro, de forma absolutamente intencional. Nós não queremos mesmo fazer isto mas a fantasia sempre nos alimenta a esperança…  

 

No raio de uma comédia romântica, o casal juntava os trapos e percebia que tinha decisões difíceis a tomar. Contas conjuntas? E quando ela quiser livremente comprar sapatos ou malas mesmo sabendo que não devia? E quando ele quiser comprar uma t’shirt caríssima do SLB/SCP/FCP/etc mesmo sabendo que só a vai usar uma vez ao ano? E quando ambos discutirem sobre a divisão das tarefas domésticas (isto num casal moderno e espetacular) e perceberem que ambos odeiam passar a ferro? E quando chegarem a meio do mês e o dinheiro já se tiver eclipsado? E quando a vida profissional correr mal e só poderem descarregar em casa em vez de gritarem a alto e bom som enquanto atravessam a ponte? O sexo, por esta altura se não morreu, está moribundo…

 

Nesta fase da comédia romântica… Quer dizer… Nesta fase do início do filme de terror em que ambos sentados no sofá já só conseguem pensar “onde é que eu tinha a cabeça?” avista-se uma fase negra e de sofrimento.  Se não existe sequela da comédia romântica é porque estragava tudo. Mas sabem que mais? Eu cá prefiro começar pelo filme de terror e deixar que a história decorra no sentido contrário. Conhecer o pior, aquele ponto onde mais nada pode piorar, aquele ponto onde já vimos o fundo do poço e sabemos que daí para a frente as coisas só podem melhorar. Há uns dias ouvi uma coisa gira… “Antes de casares garante que esse é o homem de quem gostarias de estar divorciada. Se for um “senhor” no divórcio, vai ser um “senhor” no casamento.” Fez-me sentido.

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publicado às 19:28



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