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App - Alerta Ex À Vista

por reporterdesaltosaltos, em 18.02.15

 

Será que existe alguma aplicação que permita detetar ex-namorados/as num raio de X km? Se não existe, devia existir e vou pensar em criá-la. Acho que ia ser um sucesso. Podia ter uma versão grátis durante um mês e depois passar a ser paga. E mesmo sendo paga tenho a certeza absoluta que ia vender como gelados no verão. Garanto que ia poupar-nos de situações incómodas e constrangedoras e nem precisava de ter um alcance excecional. Bastava identificar que o número e/ou telefone do nosso ex estava num raio de 5 km para alerta verde, a 3 km para um alerta amarelo e a 1 km para alerta laranja. A menos de 1 km disparava um alerta encarnado, com sinal sonoro, tipo badalo de vaca a chocalhar por cima de um microfone.

Quem é que quer encontrar o ex? Quase ninguém! A não ser que esteja num excelente dia porque passou a noite anterior no Hotel Biarritz com o Clooney (casado ou por casar) ou o Pitt (na fase Jeniffer Aniston) ou o Paul Walker (que Deus lhe tenha a alma em descanso ou as mulheres do inferno o tenham a ele) ou o Kevin Mckidd (casado, por casar, em qualquer fase, na terra, no céu e no inferno). Que ruivo! É tão feio que até parece bonito!

Se as circunstâncias acima referidas não estiveram ao nosso alcance, resta então: estar em excelente forma, mais magra, com o corpo tonificado, digno da capa da Sports Illustrated. São meses de treino e minuciosa preparação mas não basta! O ideal seria ter saído do cabeleireiro à menos de meia hora, maquilhada por um make-up artist das estrelas de Hollywood e com uma roupinha simples mas elegante e sexy ao mesmo tempo. Qualquer coisa do género da foto em baixo que é como quem diz "Não estava nada à espera de te encontrar, muito menos estando eu assim fabulosa e tu com esse ar... Que nem um farrapo humano e ainda por cima maltrapilho".

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Isto é o que se pensa e se demonstra sem se dizer. Porque no dizer está outro problema. O que dizer? O menos possível, olhar para o relógio e arrancar a todo o gás? Ou fazer conversa simpática, aparentemente calma quando na verdade se está prestes a rebentar por dentro, com as axilas a transpirar - ao ponto da roupa encharcar e dar para torcer e estender ao sol - com as mãos geladas e o coração a mil? É que mesmo quando quase nada restou de uma relação, aquele primeiro encontro, meses ou mesmo anos depois, deixam-nos sempre constrangidos. Se a outra pessoa está acompanhada ainda pior porque contra todas as nossas forças vamos acabar por nos comparar a ela. É um tiro no pé mas a menos de 20 cm.

Dadas as circunstâncias o meu melhor conselho - e ação - é fugir. Fugir com todas as forças, em sprint silencioso, para qualquer direção que nos afaste do ex com a maior rapidez e eficácia possível. Com sorte, o destino marca-nos um encontro para trinta anos mais tarde, em que nenhum dos dois se recorda muito bem do que aconteceu. E com mais sorte ainda, um dos dois acha que a cara do outro não lhe é estranha mas nem consegue perceber muito bem de onde. O que posso mais eu dizer? Não gosto de confrontos cujo desperdício de energia não acrescenta nada à minha vida. Quando muito é um pequeno, aliás pequeníssimo "closure".

O mais giro, é que na iminência de um encontro do género, o que vai acontecer é o seguinte... Estamos no pior dos dias, no meio do centro comercial, damos de caras com ele ao virar da esquina, não podemos evitar o confronto, nem fugir porque não o vimos com antecedência suficiente para executar a manobra "bater em retirada". Com azar mas mesmo muito azar, estamos no fim de semana, saímos de casa a correr, em roupa desportiva e ténis velhos - quiçá rotos - com o cabelo a precisar de ser lavado desde a noite anterior e com as unhas a começar a lascar. Com um pouco mais de azar até nos esquecemos de lavar os dentes nesse dia - o único no ano - ou comemos um folhado de espinafres uns momentos anos e temos um dente com a verdura pendurada. Acredito que há piores cenários mas assim de repente não me lembro de mais nenhum...

Resta rir com e das nossas histórias. Pode não ter piada nenhuma no dia em que acontece mas uns anos depois pode ser um fartote. A história que se conta e repete nos jantares de amigos. Pelo menos, rimos todos do mesmo. Do fato de sermos humanos e termos histórias para partilhar.

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publicado às 15:27



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