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A brincar a brincar...

por reporterdesaltosaltos, em 21.01.15

 

Sou da fornada de 1979. Orgulhosamente. Nasci no final dos turbulentos anos 70 e a caminhar para os doidivanas 80, ambas décadas bastante prodigiosas relativamente a modas. Olhando para trás são abundantes os temas que quero relembrar aqui mas para começar tenho de falar na Barbie. Eu sei que é muito anterior aos anos 80, afinal a Barbie já fez mais de 50 anos, mas para mim, naquela altura, ter uma Barbie era uma moda. Aliás, ter uma Barbie era um estatuto.

 

Eu só tive a minha Barbie depois dos meus pais viajarem para a Holanda e me comprarem uma em saldo, poupando durante a viagem com muito sacrifício. Tanto sacrifício que eu nem queria brincar com ela para não a estragar. Afinal de contas a minha motricidade fina, e já agora a grossa, nunca foram dadas à delicadeza. Mas pronto. Lá fiquei completamente encantada com a boneca loura e linda que encanta o mundo desde sempre. 

 

Não tem nada de mal mas todas as mulheres vivem de alguma forma o mito da Barbie. Vendem-nos o produto tão novas, nós compramos e nem nos apercebemos do que isso significa para a nossa vida. Não nos apercebemos do peso que tem admirar aquela imagem, ambicionar ser igual ao modelo e persegui-lo a todo o custo. Acho extraordinário que o ser humano tenha a vontade e a capacidade de se melhorar mas há limites para tudo!

 

barbie trikini .gif

 

Nós podemos fazer dietas e plásticas, depilações do mindinho à testa, fazer pedicure manicure gel gelinho francesa, pintar o cabelo de louro, colocar silicone colagénio botox ou o que seja mas nunca seremos a Barbie e sinceramente, não precisamos ser. Cada um/uma de nós é único e é isso mesmo que faz de nós... Sermos nós. Eu cá não mudava nadinha. Se bem que na adolescência o meu sonho era ser alta. A minha mãe que não me queria ver triste dizia que crescíamos até aos 19 anos. Garantido! - dizia ela. Verdade verdadadinha, cresci tudo até aos 13 anos e depois disso nada, nadinha. Nem para cima, nem para baixo, e felizmente, nem para os lados.

 

Tenho a mesma altura e peso há 23 anos... Chamem-me maluca mas senão cresci até agora, acho que já não vou crescer mais. Estarei conformada? Simplesmente aprendi a aceitar-me do alto de meu metro e sessenta e um. Além disso, se fosse mais alta, quando usasse sapatos com saltos maiores que 10 centímetros ia sentir-me fora de mim. Se nascemos com o que nascemos é por alguma razão. Mas nisto cada um sabe das suas, por isso, força a quem tem vontade, razão e dinheiro para o fazer (qualquer melhoria de infraestrutura ;-)

 

Voltando à Barbie. Já reparam que nos incutiram a seguir cegamente um modelo anatomicamente imperfeito? Nem as supermodelos têm aquela proporção de pernas e braços! E aquelas pernas não podem ter um pé tão pequeno! É certo e sabido que as pessoas altas, neste caso muito altas, geralmente calçam números altos! Raramente o 35 ou 36! Não há suporte pequeno que aguente aquela estrutura toda! E que roupa é que ela veste? Aquilo não pode ser um 34, nem sequer um 32 e ainda tenho dúvidas se um 30! Nem sei se há números mais baixos mas só num mundo em que se tiram umas quantas costelas é que aquela cintura é possível. Relativamente à cara e cabelo não me pronuncio. Já vi quase igual e fiquei de boca aberta. Há de fato mulheres muito bonitas! 

 

DSC01916-1024x768.jpg

 

Voltando à Barbie - parte 2. Mas o que chateia e em simultâneo me agrada e fascina é que a sacana da boneca era linda e era tudo o resto. Ora ela gostava de animais, ora era boazinha, fazia desporto, era executiva, teve nem sei quantas profissões, foi mãe ou pelo menos adotou porque não me lembro de a ver grávida. Ela não parava um segundo. E nisso acho que a marca foi muito boa para nós. Vendeu-nos o sonho que tudo é possível, que somos capazes de fazer tudo a que nos dispomos e em que acreditamos e mais importante, deu-nos a capacidade de sonhar. Só por isso, muito obrigada Barbie! Ah, e trouxe-nos o Ken. Quase me esquecia! 

 

Sim, acho que para a semana (agora as crónicas são exclusivamente à quarta-feira) vou debruçar-me sobre o Ken, esse grande mito de cabelo de plástico que tanto me fez sonhar. Agora que penso nisso acho que acabei de descobrir o primeiro metrossexual da história... Ah e aceito as vossas sugestões sobre brinquedos e brincadeiras do nosso/vosso/qualquer tempo para as minhas próximas crónicas, bem como outros temas. Tenho a certeza que nos vamos divertir!  

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publicado às 00:42


1 comentário

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De Ana Fonseca a 29.01.2015 às 13:46

Eu num gesto de total irreverência e sem dizer nada a ninguém .... lembro-me dito como se fosse hoje ... peguei na nota de 5 000$ que tinha recebido no Natal e tungas gastei tudo num acto de consumismo desenfreado: Uma magnifica Barbie Cintilante e um outro vestido em tons de verde e rendas brancas.
Quando cheguei a casa o meu coração batia a mil porque estava certa que ia levar uma sova por ter feito isto sem dar cavaco a ninguém. No entanto não tinha qualquer sombra de remorsos porque se não fosse assim nunca iria ter uma Barbie e isto podia comprometer toda a minha existência (assim considerava eu).
Andei ainda alguns dias a esconder a boneca e a fechar-me as escuras na despensa para a ver a brilhar no escuro... era tão fácil alcançar a felicidade extrema nessa idade ;-)

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