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Os Melhores Anos? Não conheço...

por reporterdesaltosaltos, em 06.04.11

Quem será que se lembra da série de TV "Os Melhores Anos"? Há uns dias passou na TV, penso que na RTP Memória. Eu estava com a minha sobrinha (tem 14 anos) a comer pizza e a fazer zapping e de repente reconheci aquelas personagens. Parei e vi durante alguns minutos. A Nádia achou estranho aquela imagem de TV semi-descolorada e eu expliquei que naquele tempo - 1990 - esta série era o máximo! Uma espécie de "Morangos com Açúcar". Ela desatou a rir e ainda me disse "Vestiam-se tão mal!"...

 

E é verdade. Eram tempos completamente diferentes e sinto-me na obrigação de revelar os meus tesourinhos de moda mais deprimentes de todos os tempos. Mas não começou na altura de "Os Melhores Anos". Foi muito antes! Tenho algumas recordações que me remetem à infância. Não sei bem com quantos anos. Andava eu no motocross e os meus pais tinha-me trazido do Brasil um conjunto pavoroso, de mini-saia e t'shirt, amarelo claro, com desenhos a preto e branco. Pois bem, eu subia ao pódio muitas vezes e o que é que eu escolhia para me exibir? Pois claro. Este mesmo conjunto. Sempre... E ainda nesta fase - versão inverno - vestia orgulhosamente uma saia de balão, verde musgo, em veludo canelado. A Madonna fazia sucesso com algo do género e eu achava o máximo. Pior, só mesmo uma camisola em xadrez azul escuro, com laço abaixo do pescoço, com que a minha avó me obrigou a tirar as fotos do colégio. Esta foto merecia ser postada...

 

Uns anos mais tarde - acho que pré-adolescente - tive outro conjunto, mini-saia e penso que também t'shirt, lilás. E devo ter gostado tanto dele que até o levei ao casamento da minha madrinha. Na foto estou linda... Magra que nem anoréctica, toda mal penteada (vou ver se a minha mãe me deixa fazer um scan e depois adiciono ao post) e a tentar esconder os meus dentes tortos que hoje são a minha imagem de marca. Durante um ou dois Verões aderi a uma outra moda e andei sempre de calções de ciclista, daquela pretos com uma faixa nas laterais em florescente. Os meus tinham verde dos lados. Tive outros em rosa cheios de florezinhas que as "betinhas" também usavam.

 

Já no 7.º ano começou a loucura das marcas... Tive um único par de "All Stars", cinzento. Depois de meses a pedi-los os meus pais finalmente decidem presentear-me, chegamos à loja e o meu número (35) só havia em cinza. Antes que se arrependessem disse que aquela era mesmo a cor que eu queria. Era diferente... Assim ninguém tinha igual. Depois acho que tive umas imitações. Tipo "Ale Stars" ou "All Stares"... Também massacrei os meus pais por umas calças à boca de sino do mais piroso que possam imaginar. Vestida com elas podia animar festas no Havai. Eram azuis escuras o que até era simples mas depois na "boca de sino" tinha uns padrões pavorosos e nenhum combinava com nada!

 

Entretanto, eu queria por que queria um "Duffy"! E num Natal, os meus pais realizaram-me esse e outro desejo. Umas calças de marca. Eu queria Chevignon mas também não havia para o meu número. Comprei umas Uniform. Que rasguei no regresso à escola porque caí numas escadas no campo de futebol. O meu pai sempre pensou que eu tinha feito de propósito e prometeu não me voltar a comprar nada de marca. É verdade que joelhos rasgados estavam na moda mas por acaso, foi mesmo um infeliz acaso... Quanto ao casaco de penas, eu queria um Duffy, só havia na versão Uniform. Comprei. Foi um Natal incrível. Dois meses depois não podia com o cheiro a ganso nem com o calor. Mas usava-o! Ai usa sim senhora! Isso e uma t'shirt da discoteca "Visage" que me tornou bastante popular entre os mais populares! Usei-a tanto que o verde florescente parecia algo que podia ter sido verde. Um dia, há muitos anos...  

 

Mais tesourinhos deprimentes? Bem, com os meus 15 ou 16 anos comprei com o meu primeiro ordenado de Verão um vestido. Calma... Imaginem. Vestido de alças, em lycra, curtinho e... Tcharan... Cor-de-Laranja florescente. Tinha-o comprado numa loja muito fashion do Centro Comercial M.Bica em Almada. Eu achava-o o máximo. A etiqueta dizia Valentino. E eu, anunciava ao mundo que tinha um vestido Valentino. Eu acreditava piamente que a toilette era do costureiro "Valentino"... Esse mesmo... Mas vai piorar. Entretanto, no final do Verão comprei umas botas Jimmy Dolye. Roxas. Acho que foi na minha fase Tecnho. O que é pior que isto? É combinar o vestido e as botas. E claro está... Sair à noite assim vestida e com - surpresa - óculos escuros.  

 

Parece-me que quanto mais fashion numa época mas ridículos parecemos noutra. Eu só e simplesmente tinha um péssimo sentido de combinação. Ou mau gosto. Ou de estilo. Todos passámos pela necessidade de pertença a um grupo. Eu sempre quis pertencer a todos. Nunca estive de facto em nenhum. Era uma marginal dos estilos. Não me revia em nenhum e revia-me em todos. Se queria ser gótica usava uma só peça de roupa preta e pronto, era automaticamente gótica. Duas semanas depois usava uma camisa aos quadrados e umas botas tipo Sendra (sim tipo, não eram verdadeiras porque custavam 50 contos) e era betinha. Passadas mais duas semanas, usava casaco de cabedal e era uma roqueira. Eu era uma adolescente muito estável. Versátil, digamos.

 

A minha adolescência foi como todas. Complexa. O mundo estava todo contra mim! Em qualquer altura. E se não estava era porque nem se interessavam por mim. Queria o 8 e o 80. Tudo e nada. Todos sabemos agora (na faixa dos 30) que não fazíamos a menor ideia do que era a vida e muito menos o que queríamos dela. É uma altura difícil. É curioso que depois de fazermos uma parte significativa destas descobertas, tudo muda e voltamos a "casa". Apesar de tudo, tive uma adolescência excepcional. Ensinou-me o bom e o mau e empurrou-me para a vida. Também faz parte de quem sou, por mais pirosa que tenha sido... Foram os melhores anos. Daquela fase. O melhor mesmo está sempre há nossa frente.

 

Para os nostálgicos, aqui fica o primeiro episódio de "Os Melhores Anos". Recordem-se! Divirtam-se!

 

http://www.youtube.com/watch?v=2LUKBPH8bXI

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publicado às 22:36



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