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O destino está marcado?

por reporterdesaltosaltos, em 17.08.10

Nunca quis saber o futuro. Nunca! Aquela coisa de ir tirar o jogo de tarot ou búzios ou coisa parecida. Acho que o que tem de acontecer, acontecerá a seu tempo. Não vale a pena especular. Mas há uns anos deixei-me levar na conversa de uma familiar que insistia que uma vidente conhecida queria falar comigo. Tanto insistiu que acabei por ceder. Fiz a consulta. Por telefone, imaginem!

 

Eu que sou sempre gozona com estas coisas e a quem é extremamente difícil vender a “banha da cobra”, comecei o telefonema algo tensa, à defesa. Pensei logo “o que quer que ela diga não vou reagir a nada”. Porque há por ai gente espertalhona que apenas se mantém atenta às reacções dos outros e vai "investindo". Com facilidade consegue perceber se estão a tocar no nervo certo.

 

Durante bastante tempo eu brinquei com amigas e amigos dizendo-lhes que eu tinha o dom de adivinhar o futuro. Claro que não tenho! Mas sei ler as reacções físicas, como quase todas as pessoas. E não é preciso muito para impressionar. “Tu não estás completamente feliz” – E quem é que está? “Tu tens um problema de amor mal resolvido no teu passado” – Quem é que não tem? “O dinheiro nunca chega para tudo o que precisas” – E a quem é que chega? “Alguém da tua família de quem gostavas muito morreu e tens muitas saudades” – Quem é a pessoa a quem não morreu pelo menos uma pessoa de família? “Vai aparecer uma pessoa nova na tua vida!” – E continua…

 

 

A verdade é que as pessoas já fragilizadas vão ouvindo, vão-se identificando e nem percebem que as suas respostas são iguais a cerca de 90% da população mundial. E pior, vão reagindo fisicamente. E às vezes até dão pistas… “Há uma pessoa que ter quer mal. É uma mulher, morena (somos um país latino qual a probabilidade?) que se faz passar por tua amiga. O nome dela começa por…” – M! De certeza! É a Maria! Sempre achei que ela não gostava de mim!”. E bingo! A “banha da cobra” vendida a peso de ouro.

 

Mas voltando à minha história, então lá liguei para a senhora à hora marcada. Não reajas Vera, ouças o que ouvires não reajas! E também não tinha como! Nos primeiros 10 minutos, ela falou sem parar da minha personalidade. Sim, grande coisa. A minha familiar contou-lhe tudo… Depois começou a ser mais específica. Sobre o meu passado. E foi ai que eu fiquei completamente atordoada. Começou a falar de coisas que mais ninguém, repito mais NINGUÉM sabe sobre mim. Sentimentos, episódios, sonhos. Não o tipo de adivinhação que eu sou capaz de fazer. A minha história não se inclui na estatística de fácil adivinhação dos tais 90% da população mundial. Eu quase nem respirava. “É um golpe de sorte, só pode. Só pode!”. Mas a conversa, ou melhor, o monólogo continuava, cada vez mais específico. Parecia conhecer-me melhor do que eu a mim.

 

A meio do telefonema, eu estava branca (ainda mais que fico no Inverno) e gelada. Completamente gelada. Comecei de pé, encostei-me à parede e quando dei por mim estava sentada no chão, incrédula e de boca aberta. Quando começou a falar do futuro, desatei a rir. À gargalhada. Era dos nervos. E finalmente eu disse-lhe “ o que me está a dizer é o que toda a gente quer ouvir” e ela respondeu-me “daqui a uns tempos vais ligar-me de novo. Aí vamos ver se te ris de mim ou se te vais rir comigo”. O tom de última frase deixou-me apavorada! Ainda não lhe liguei e já vai fazer três anos. Mas tenho a sensação que ela estava certa (ainda que não em termos de cronologia) e que em breve vou ter motivo para lhe ligar. Não sei se me vou rir ou se nos vamos rir juntas…

 

Voltando ao busílis da questão. Nunca quis saber o futuro porque acreditando ou não, acho que alteramos irremediavelmente a forma como pensamos e agimos. E foi o que eu fiz. Com a dúvida instalada nada mais vale que a precaução. Se acreditamos e é algo positivo, como atitude passiva pensamos “está destinado, nem me vou esforçar”. Por outro lado, na atitude proactiva, queremos tanto que algo aconteça que nos esforçamos mais do que nunca para garantir a sua concretização.

 

Se é algo negativo, temos uma vez mais as duas posturas. “Não vou lutar porque é o meu destino” ou “Vou fugir deste destino com todas as minhas forças!”. E se qualquer uma destas atitudes é o que definitivamente afecta a nossa vida? Do género, quanto mais fugires mais de aproximas do caminho traçado? Temos ainda uma terceira opção que é tão-somente nem acreditar em nada. Deixar que o futuro se vá transformando em passado. Dia após dia…

 

Acreditando ou não, tenho fugido bastante do meu “destino”. A perspectiva de futuro é de facto extraordinária mas tinha uma advertência – como sempre. E como diz o povo “pero que las hay las hay”… 

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publicado às 19:13



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