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Pobre Mandrião Sem Nome

por reporterdesaltosaltos, em 12.07.10

Um dos meus filmes preferidos é “Boneca de Luxo”, ou “Breakfast at Tiffany’s” - se quiser ser mais chique. O filme é de 1961, inspirado no romance de Truman Capote e venceu os Óscares de "Melhor Banda Sonora" e "Melhor Canção". "Moon River” encanta-me. E Audrey Hepburn ainda mais. Canta e interpreta Holly Golightly...

 

Audrey Heprburn, ou melhor Holly surge como expoente máximo do glamour. Jamais haverá no cinema quem se possa apelidar de diva depois da existência de alguém como ela. Começa o filme a deslumbrar-se frente às montras da Tiffany’s (esse lugar de culto) mas é verdade que quem mais deslumbra é ela. De uma elegância sem par, feminina, doce e glamorosa como nunca, encarna a excêntrica e intempestiva Holly. Ela só quer arranjar um bom partido mas como em qualquer comédia romântica, o "tiro sai pela culatra".

 

Gosto da personagem dela porque a compreendo muito bem. É uma desajustada social. Não dá um nome ao gato porque acha que ele não lhe pertence. Chama-lhe "Pobre Mandrião Sem Nome". Não quer ter pertences e nem sequer compra mobília para a casa onde mora há um ano. Não quer nada que possa chamar de seu. Pelo menos até encontrar um sítio que ache que é o seu. Um sítio onde se sinta bem. Não sabe onde é mas sabe que ele existe. Compreendo-a em absoluto porque quem nada tem nada pode perder.

 

Também compreendo a sua luta. Deixar tudo para trás e começar de novo - uma das minhas especialidades - criando um espaço onde se sente bem. A chamada zona de conforto que ninguém reconhece como sua. Luta contra a campónia que esperam que ela seja e em silmutaneo pela pessoa espantosamente elegante que ela também é mas que os "seus" não conhecem. Também me revejo nesta busca. Não quero esquecer as minhas raízes mas procuro incessantemente fugir do pior que elas têm. 

 

 

Na história, Holly conhece um escritor e também ele a "vive" por contra de outrem (se é que me percebem...). Entre visitas inocentes a gangsters na prisão, festas de sociedade, homens ricos e golpes "amorosos" falhados, Holly encanta-se pelo escritor que ela nomeia de Fred - o nome do seu irmão. Este amigo diz o que ela não quer ouvir. Nem admitir. Todos temos amigos assim... Que nem bomba relógio (como me sinto todos os dias e tento controlar ao máximo) é intempestiva, irrequieta e surpreendente. Encantadora, até treina português no filme...

 

Passando ao final e à minha cena preferida. Ela vai no táxi com o seu escritor (agora um homem livre e independente) e o gato a caminho do aeroporto.  A meio ele decrara-se. Não quer que ela se vá embora, diz que a ama, que ela lhe pertence. Mais uma vez, a fugir de si mesma, Holly (ou Lula Mae) decide abandonar tudo. Riposta. Ninguém pertence a ninguém. Ninguém a vai colocar numa jaula. Ela é como o gato. Nunca terá dono. Manda parar o táxi e solta-o (o coitado do gato nem quer ir porque está a chover a potes).  

 

Uns metros à frente é ele quem manda parar o táxi. É diz-lhe a verdade mais dura. A que até a mim custa ouvir. "Achas que és um espírito livre, um animal bravio. Estás aterrorizada que te metam numa jaula. Pois olha querida, já estás dentro dela. Foste tu que a construíste... ...Está onde tu estiveres. Porque para onde quer que fujas sempre vais dar a ti mesma." Que dor... Ele vai-se embora. Atira-lhe um anel que saiu no pacote de bolachas de água e sal - para perceberem esta têm mesmo de ver o filme. Ele vai atrás do gato. Segundos depois ela também vai atrás do gato. Vai atrás dos dois "gatos". Mas é ela que está perdida e são os dois "gatos" que a encontram...

 

Eu nem sou de lamechices mas amo este filme. Diz-me tanto da pessoa que sou como da que quero ser...

 

Aqui fica a incrível Audrey Hepburn a tocar e cantar e sem recorrer a dupla...

 

http://www.youtube.com/watch?v=BOByH_iOn88

 

Amélia, faz hoje três anos. Esta é para ti! Beijo onde quer que estejas!

 

 

 

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publicado às 23:22



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