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O bom filho à casa torna!

por reporterdesaltosaltos, em 22.06.10

Voltei aos clichés mas por uma boa razão. Os amigos. Os amigos são sempre poucos e às vezes até diminuem de número. Não por nossa vontade mas porque as circunstâncias da vida assim o obrigam. Ao longo dos anos foi perdendo e recuperando alguns. Com uma imensa coragem (que eu jamais teria) decidiram arriscar tudo e mudar de país.

 

Tal como em outras épocas, a emigração continua a fazer parte da realidade portuguesa. Os destinos são muito diferentes, as oportunidades e as profissões felizmente também. Tenho alguns amigos que tomaram a difícil decisão e arriscaram começar tudo de novo. Como senão bastasse uma vez, lá vão eles e como se costuma dizer “com uma mão à frente e outra a trás”. De cabeça erguida e sem medos…

 

Eu sempre fui muito “caseira”. Gosto de Portugal. Gosto muito de Portugal. Com tudo o que tem de bom e de mau, este é o meu país! Amo-o de paixão, só o trocaria em férias e jamais para viver. Claro que não me importava de viver em New York uns meses mas só mesmo uns meses. Porque Portugal é o meu Portugal e é aqui que eu me sinto bem. É aqui que eu quero e vou vencer. Já tenho isto decidido há muitos anos.

 

De volta à questão… Tenho três grandes amigos que em determinada altura decidiram mudar de país. Mudar de vida. Há já uns bons anos, o primeiro foi o Hugo. Quase um irmão. Um doce de pessoa a quem as oportunidades teimavam em não surgir. Mais do que não encontrar as oportunidades certas, não estava integrado nas mentalidades certas. Demasiado à frente do seu tempo. A decisão foi dificílima e o adeus ainda pior.

 

Na Bélgica, as oportunidades surgiram mas o trabalho duro também. Alargou os horizontes, conheceu outros países, outras mentalidades e outras pessoas. Viveu experiências novas e incríveis e agora está ainda mais à frente do seu tempo. No fundo, bem no fundinho, é a mesma pessoa. A pessoa com quem se conta sempre. Está sempre lá, onde quer se esteja. Mas não aguentou as saudades da família, dos amigos, da cultura, da calor do nosso povo. É mesmo português! Voltou de vez – espero - há uns dias! Cheio de novidades e mais feliz. O mais incrível é que só encontrou o que procurava agora que regressou… O destino prega com cada partida!

 

 

A Sónia. Sempre teve espírito de aventura e sempre procurou noutros sítios o que continua sem encontrar. Ela própria. Sempre viajou, experimentou coisas novas, sempre em evolução. Sempre a somar conhecimentos. Sempre disposta a conhecer novas ideias. Ás vezes até espírito aberto demais. Daquele que por muito pouco não se aproxima do exagero. Há cerca de um ano embarcou – literalmente – numa nova aventura. Viajou pelo mundo, visitou monumentos, conheceu gente esquisita, contou histórias iguais às que encontramos em qualquer cultura. Não conseguiu encontrar-se. Há uns dias desembarcou (e eu adorava que fosse de vez) mas percebo que Portugal também não lhe dá o que ela merece. Tão simplesmente o reconhecimento...

 

Laranja. Mais um caso de falta de oportunidade e reconhecimento. Com alguma modéstia, este meu amigo é só um dos melhores fotógrafos do mundo. Premiado “Fotógrafo do ano” em 2009, foi preciso arriscar em terra de “Sua Majestade” para ser reconhecido e poder lutar (literalmente) por um lugar entre os melhores. Criou as suas próprias oportunidades e foi reconhecido. Trabalha e esforça-se continuamente para manter a elevada fasquia. Ele sabe que vale a pena. Vale a pena por “aquela foto”. E convenhamos... É talento a mais. O produto nacional é muito bom e temos de aprender a partilhar o que de melhor temos no “quintal da Europa”. Ele ainda não regressou mas pensa nisso... São muitas as vezes em que temos de nos afastar para perceber o que perdemos. O que deixámos para trás. Ele já percebeu. Tenho esperança que regresse e que seja tratado e reconhecido como merece.

 

E é tudo uma questão de perspectiva. Esta é uma das minhas frases mais populares e que eu levo muito a sério. É mesmo uma questão de perspectiva. Enquanto eu vejo tudo do topo da montanha, eles vêm tudo da base. Não se apercebem do incrível valor que têm e acrescentam à vida das pessoas que os rodeiam. Não percebem o seu próprio impacto. Estas três pessoas extraordinárias, tiveram uma importância extrema na minha vida. O Hugo salvou-me o coração muitas vezes. Mostrou-me que ser humana não é ser fraca. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza. A Sónia salvou-me a vida. Ajudou-me a voltar a andar. Se não fosse a insistência dela, hoje de certeza, eu não andava – muito menos com este andar sexy, lol... O Laranja salvou-me a alma. Ensinou-me arte. Sensibilidade. E que não tem mal nenhum. Nada disto se pode agradecer...

 

Importante mesmo é perceber que pelo menos dois deles estão de volta à minha vida. Há pessoas que passam pela nossa vida, ficam por perto mas de facto nunca estão verdadeiramente connosco. Depois há outras que podem estar no outro canto do mundo, sem contacto durante semanas, meses ou anos mas em qualquer telefonema, e-mail ou sms, sentimos que estão mais perto que qualquer outra pessoa. O Hugo, a Sónia e o Laranja são assim. As distâncias não importam. As mudanças e circunstâncias de vida não os mudam, nem mudam a nossa amizade. Mas verdade verdadinha, agora que recuperei dois grandes amigos, queria mesmo é que eles ficassem por perto. E para sempre... Só falta o Laranja...

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publicado às 23:53



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