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Basta apenas um segundo...

por reporterdesaltosaltos, em 17.05.10

O tempo é relativo mas uma coisa é certa, toda a gente se queixa dele. Ou pelo menos da falta dele. Nestes tempos modernos, um segundo, um minuto, uma hora, um dia, uma semana, um mês, um ano, qualquer unidade de tempo parece ser demasiado curta para o que quer que queiramos fazer. No entanto, tudo o que não queremos, parece sempre durar uma eternidade.

 

As minhas unidades de tempo preferidas são os segundos. A importância que poucos segundos podem ter na nossa vida é absolutamente impressionante. Há vezes em que apenas um segundo é o suficiente para tudo mudar. É o suficiente para proporcionar um encontro ou talvez um desencontro. É suficiente para cruzar a passadeira e encontrar um velho conhecido. Ou alguém novo. Alguém que pode mudar a nossa vida das mais variadas formas. É o suficiente para desviar o olhar e ter um acidente. É suficiente para cortar um dedo enquanto se cortam os legumes.E bastam alguns segundos para morrer e alguns segundos para nascer. E basta apenas um segundo. Um segundo a mais num olhar e é luz verde para quem nos olha. Dois segundos a mais num olhar e há um calor diferente. Três segundos e ficamos a pensar, às vezes a tremer. Mas basta um segundo – apenas um segundo – para aquele olhar, ser o suficiente para alguém se apaixonar.  

 

Minutos. De manhã. Uns minutos para acordar. Um minuto para me levantar e uns vinte minutos para me despachar. Espero pelo autocarro mais uns minutos. Chego a Lisboa em minutos e atravesso a rua. Mais uns minutos a esperar novo autocarro... Algumas das melhores coisas da vida duram apenas minutos mas estes são “aqueles” que sabem e valem pela vida! São fugazes e efémeros mas inesquecíveis. São palavras curtas. São minutos preenchidos com silêncios, com sentimentos e com momentos. Às vezes é uma simples refeição ou dormir a “sesta” – aquela em que descansamos como se dormíssemos horas! Às vezes são cinco minutos em que escolhemos estar com alguém. Sabemos que cinco minutos são só mesmo cinco minutos mas não abdicamos deles. Porque aquela pessoa vale cada segundo!

 

Sessenta minutos. Uma hora depois de sair de casa estou a chegar ao trabalho e durante este tempo todo estive sempre a ouvir música. A música que não dispenso e que dura horas da minha vida! As horas que correm depressa e não chegam para tudo. As horas que me obrigam a definir prioridades quando tudo na minha vida parece ser prioritário. Elas passam a correr por mim como eu passo a correr por elas. Nunca me chegam. Deviam haver mais doze em cada dia. Talvez em trinta e seis horas eu conseguisse fazer tudo o que quero e preciso. Estar com todas as pessoas com quem quero estar. Mas nunca me chega. O que chega é o fim do meu dia.

 

 

E os dias, sem me aperceber também vão passando. Hoje é segunda, amanhã é terça, depois é quarta, quinta, sexta e chega o fim de semana. E estes dois dias passam ainda mais depressa. Sem tempo para estar com todas as pessoas e para fazer todas as coisas que quero. Mais uma vez, tenho de definir prioridades e às vezes falho porque faço a escolha errada... E nisto passam semanas e meses. E quando nos distraímos passam anos.

 

Mas também tenho de considerar aqueles silêncios, sentimentos e momentos que parecem simplesmente não passar. Uns são tão bons que passam demasiado rápido. Outros são tão maus que teimam em não passar. Recuperar de uma doença grave ou de um acidente. Recuperar de uma morte. De um choque. De uma palavra mal dita e mal intencionada que nos magoa sem fim. Ás vezes recuperar de um olhar que não nos corresponde. Recuperar uma amizade ou um amor. Recuperar a paixão. Recuperar de uma relação. Recuperar algo nunca começou. Recuperar o que começou cedo demais e não parece ter travão. Recuperar de algo ou alguém que não nos faz bem. Lutar todos os dias contra um tempo que não passa. Quando na verdade sabemos que só o tempo cura mesmo tudo. Só o tempo obriga ao esquecimento e só ele nos recupera. Só o tempo nos torna mais fortes. 

 

E o tempo também tem a questão do “tempo certo”. Às vezes conhecemos a pessoa certa no timing errado e deixamo-la passar por nós. Outras vezes conhecemos a pessoa errada mas achamos que é o timimg certo. Ou simplesmente passamos pela vida das outras pessoas como sendo a pessoa certa ou errada, combinado com o pior timing de sempre. E este “timing” serve para tudo. Para empregos, oportunidades, acções, entretenimentos e divertimentos. “Cada a coisa a seu tempo” já dizia a minha avó. E sou obrigada a concordar. Tudo na vida tem o seu timing. Temos de “jogar” com equilíbrio o aproveitar a oportunidade com o timing certo. O nosso timing. Aquele em que estamos preparados. Seja para o que for. Principalmente para mudar.

 

Hoje, que estou cheia de sono e já não tenho muito tempo, olho para o meu tempo que já passou... Aproveitei bem. Não me arrependo de nada. Amei quem tinha de amar. Fiz amizades e perdi amizades (que nunca o foram). Superei traumas. Resolvi problemas. Brinquei quase todos os dias. Diverti-me e diverti os outros. Vivi e vivo bem com os meus segundos, os meus minutos, as minhas horas e os meus dias. Os meus fins-de-semana passam, tal como as semanas e os meses. Parecem curtos mas sinto que são bons. Os anos? Foram bastante generosos comigo. Principalmente nos últimos dois. Vou viver mais 69. Só para fazer os 100...

 

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publicado às 23:13



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