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Sete meses de vida nova!

por reporterdesaltosaltos, em 05.05.10

Fim do mês de Abril. Eu que sou super organizada começo a rever o meu orçamento mensal e deparo-me com o 7.º mês de renda paga. Não acredito em coincidências… O número 7 tem um significado muito particular para mim. Todos os anos terminados em 7 foram pa vo ro sos!

 

Em 1997 tive um acidente quase fatal… Em 2007 a minha vida também deu  uma volta de 180º. Profissionalmente desisti do projecto que era a minha vida. Aquele que eu pensava que era “o sonho” mas que na verdade eu sabia que era apenas uma ilusão. Foi o ano em que a minha avó Amélia e o meu estimado amigo Miguel Maroco faleceram. Foi de facto um ano menos bom e no qual perdi algumas batalhas. Mas como diz o povo “Deus fecha uma porta mas abre logo uma janela”.

 

E abriu. Nesse mesmo ano estabeleci novos objectivos, mais reais e mais mesuráveis e tudo se desenrolou com mais facilidade e mais naturalmente. Este ano decidi sair desta má onda do n.º 7 e coloquei na balança os meus 7 de meses de vida nova. De facto, o tempo passa a correr. Há um ano atrás estava longe de imaginar o “salto” que dei…

 

1 de Outubro. Mudei-me para um T1 no sol da Caparica. A primeira experiência a morar sozinha, acabadinha de sair da casa dos pais… Nos primeiros dias entrava em casa sem saber o que fazer e só com o tempo aprendi a criar novas rotinas. A experiência ensinou-me algumas coisas importantes. Não misturar roupa fuchsia ou vermelha com roupa clara. Não estrear o ferro de engomar sem tirar a película que está a proteger a parte de baixo. Não estender roupa quando as gaivotas andam por perto. Não mudar lâmpadas sem desligar o quadro. Não lavar o chão e deixar a janela aberta sobretudo quando está vento. Enfim, erros de principiante. A tarefa mais para mim difícil é cozinhar. Só este mês é que comprei gás e informo que sou uma cozinheira de 5.ª. O meu “fetuccini” de camarão com natas dá para comer como se fosse sopa… Mas eu esforço-me! Ultimamente até cozinho com carinho e falo com os ingredientes. Não dá resultado… A tarefa mais fácil é lavar a loiça. Ainda que na casa dos meus pais fosse ainda mais fácil, até porque tinha máquina…

 

Morar sozinha é bom. Durmo as horas que quero, deito-me e acordo quando quero (excepto quando a vizinha me acorda a arfar) e não dou satisfações a ninguém. Como quando quero, o que quero e apenas se quero. Se quiser passar o dia a “pastelar” no sofá, simplesmente passo. Convido quem eu quero e ninguém tem nada a ver com isso. A casa de banho é só minha. A qualquer hora! O comando da televisão é só meu! A qualquer hora! E se quiser ter a casa de “pantanas”, tenho! É uma forma de liberdade bastante interessante… Só é pena (e vergonhoso) ter o duche por arranjar há 7 meses e ter o varão do quarto (montado por mim – foi uma grande vitória) prestes a cair. Parece que tenho de comprar buchas ou lá o que é…

 

Balanço: Muito Positivo

 

31 de Outubro. Viagem de trabalho a Boston. Depois do interrogatório tipo “PIDE” em Amesterdão, entrei no airbus A333 directa para a primeira classe (juro que nunca mais viajo de outra forma) e em Boston tivemos direito a novo interrogatório. Tanto a jornalista da “Visão” como a do “Público” eram super divertidas e felizmente correu tudo bem. À saída do aeroporto tínhamos um transfer bem ao estilo americano. Chegámos na noite de Halloween e claro, qualquer cidade dos “states” estava em polvorosa! No dia seguinte começou o trabalho e foi mais uma experiência extraordinária na minha vida. Tive o privilégio de participar na entrevista conjunta a Baruch Blumberg que é só um prémio Nobel de Medicina (1976). Coisa pouca… Eu estava com ple ta men te deslumbrada! Aos 84 anos (com a energia de quem tem 50) o Professor Blumberg começou por “break the ice” a dizer que esteve em Lisboa durante a 2.ª Guerra Mundial a serviço da “USA Navy”. Este “senhor” só descobriu o vírus da Hepatite B e salvou cerca de 300 milhões de pessoas! É obra! Blumberg continua no “activo”, dá aulas nas mais prestigiadas universidades, faz investigação e ainda “faz uma perninha” na NASA. Não é para ficar deslumbrada?

 

Balanço: Extraordinariamente positivo

 

Entretanto. Mais viagens alucinantes de Fiat Uno. Casa dos pais/casa nova e casa nova/casa dos pais a carregar a história da minha vida. O carro chumbou na inspecção de propósito 3 vezes só para eu puder circular até chegar o carro novo. Na inspecção fiquei famosa… Não podia transportar passageiros nem materiais mas arriscava todos os dias. O Fiat chegou ao limite. Acendia as luzes e ficava sem travões. Carregava no travão e buzinava. Buzinava e as portas trancavam. No regresso de um congresso no Algarve, ele não pegou. Abandonei-o para não me chatear e o meu irmão é que o foi buscar. Uns dias depois foi para abate. Nunca mais o vi…

 

Balanço: Agora que já passou tudo… Muito divertido

 

20 de Novembro. A caminho do stand da Peugeot. Ia buscar o meu 107 “novinho em folha”. Fui de autocarro porque queria fazer surpresa à minha família. Só queria entrar no carro e sair do stand a 200 mas quando saí ia tendo um colapso. Parecia que não sabia conduzir. Fui aos tropeções até casa e quando cheguei a casa dos meus pais apitei como senão houvesse amanhã. A família veio a correr para a rua e lá demos a primeira voltinha juntos, eles com sorrisos ainda maiores que o meu. O meu primeiro carro novo. Comprado por mim, com o meu dinheiro. Uauuuuu! Hoje cada vez que entro nele só me dá vontade de rir. “Pega” sempre à primeira e não à quinta ou sexta como o defunto Fiat Uno. Muito menos emoção mas muito mais segurança. As portas fecham mesmo, os faróis acendem, os travões travam e o rádio funciona todos os dias. Os senãos… Não tenho água no limpa-vidros porque não me lembro onde se abre o capot. Já bati. Uma coisinha de nada. Num poste. Juro que não estava lá quando estacionei. Juro! E 4300 km ainda estou apaixonada por ele!

 

Balanço: Muito Positivo

 

Dezembro. Curioso… 7 meses de Natação. A fobia desapareceu. Já nadava bem de costas e o professor dizia que eu mergulhava como ninguém. Claro que aqui a "espertalhona" tentou exemplificar para a turma a bateu com o queixo no fundo da piscina. Mas levantei-me orgulhosa do meu feito. Cheia de dores mas orgulhosa e de peito inchado! Crol já nadava quase uma piscina inteira (uns míseros 12,5 m), mariposa fingia que sabia – mas bem – e bruços… Nem por isso. Toda a gente diz que é o mais fácil mas eu não me entendo a nadar à rã!

 

Balanço: Para alguém que tinha fobia… Muito Positivo Mesmo!

 

 

18 de Dezembro. Férias de Natal da BMS. Sim, eu trabalho numa empresa em que no Natal temos 15 dias de férias como se estivéssemos na escola. No MX nunca tive férias, fins-de-semana, feriados ou pontes durante 5 anos. Eu diria que Deus (seja lá quem for) fechou a porta mas abriu os portões da mansão… Terminei o curso de espanhol. Quero fazer mais um nível… Talvez no Verão.

 

Balanço: Muito Positivo

 

24 de Dezembro. Foi um Natal diferente. O primeiro a morar noutra casa. A minha mãe trabalhou nesse dia e no seguinte, por isso faltava qualquer coisa... Mas os meus rituais não mudaram muito. É claro que escondi os presentes, fiz a minha sobrinha procurar pela casa e acreditar que o que tinha encontrado era sempre o último. Mas não. Acabou como sempre. Abriu o último presente (aquele que ela queria mesmo e já não tinha esperança de receber) e lá está, lágrimas no “canto do olho”. E o mais giro é que ela não se cansa de repetir que o melhor Natal “é sempre o último”. Vale a pena ser tia da miúda mais fixe do universo.

 

Balanço: AMO O NATAL! É SEMPRE MUITO POSITIVO!

 

31 de Dezembro. Festa de fim de ano em família mas sem mamãe – a trabalhar. Eu que acho que o fim de ano não tem de ser a 31 de Dezembro mas no dia em que eu quiser. Desvalorizava um pouco esta época mas também nisto mudei de postura. Vou comemorar a entrada de 2011 em grande! Garanto! E até me diverti. Ao passar a meia-noite olhei para a minha sobrinha e não resisti a dizer “Tenho a certeza que vai ser um ano fantástico!”. Está mesmo a ser. Eu sabia! Não bebi álcool…

 

Balanço: Muito Positivo

 

4 de Janeiro. Regresso ao trabalho. Finalmente. Adoro o que faço e não sei viver sem trabalho!

 

Balanço: Positivíssimo!

 

11 de Janeiro. O meu aniversário. Odiava-o mas também aqui mudei de postura. Para o ano vai ser de arromba! Ofereci-me um telemóvel “touch screen” – como é que vivi sem isto tantos anos? - porque o antigo caiu no esgoto nas Amoreiras. Há mal que vem por bem…

 

Balanço: Fiz 31 anos e adoro ser trintona! Muito Muito Muito Positivo!

 

24 de Janeiro. Criei este blog. Tem sido muito importante na minha vida… 

 

Balanço: Muito Positivo

 

13 de Fevereiro. Véspera de Carnaval. Não me mascarava há anos mas enfim, sou uma mulher nova e agora comemoro tudo e mais alguma coisa. Mascarei-me à “hippie” e fiz sucesso. Foi uma noite muito gira e um treino para o futuro. Esta ninguém vai perceber… Para o ano vou desfilar no sambódromo. Já pedi ao universo!

 

Balanço: Muito Louco!

 

Fim de Fevereiro. O meu director chamou-me para uma conversa ao fim do dia. Ele nunca faz isto porque sabe que moro na margem sul. Pensei que me ia despedir (estou obviamente a brincar) mas afinal era para uma vez mais (e felizmente é frequente) para me congratular pelo meu trabalho e dar a notícia que ia ser (bem) aumentada. Não há chefe como o meu. É o que vos digo…

 

Balanço: Para 2.º mês do ano é incrivelmente positivo!

 

Março. Primeiro ordenado depois de um fabuloso aumento. Iupi!

 

Balanço: Muito positivo! O saldo é que ia ficando negativo. Foi da emoção... 

 

Algures em Abril. Já fui duas vezes à praia! Não imaginam o que isto significa para mim! A minha média de idas à praia (a vida inteira e sem exagero) deve ser duas vezes ao ano. Bolas, sou uma mulher nova! Estou a adorar fazer praia... Juro! Até já tentei comprar vários bikinis mas combinar tanga S ou XS com peito L não está fácil...

 

Balanço: É a loucura! 

 

Balanço geral: Bem, tendo em conta as evidências, vou ter de me sintonizar de vez com o número 7. Parece que a maré de sorte veio para ficar… Como dizia a minha avó, os primeiros 30 anos é que custam, porque depois tudo o que é bom chega depressa! Ela é que a sabia toda!

 

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publicado às 13:50



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