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Poder, podia! Mas não era a mesma coisa!

por reporterdesaltosaltos, em 23.03.10

Eu acho que vivemos no melhor dos tempos. Sim eu sei. Temos desemprego, crime e crime violento, crise económica, famílias disfuncionais e endividadas, juros altíssimos, crianças e adolescentes mimados e perturbados, catástrofe ambiental e vislumbramos o caos. Mas pessimismos à parte de que é que nos podemos queixar?

 

A nossa vida quotidiana é a mais simples de sempre (eu hoje estou muito fútil). Já pensaram na quantidade de máquinas e electrodomésticos que facilitam a nossa vida todos os dias? Muitos deles fazem de tal forma parte do nosso quotidiano que nem nos apercebemos da sua importância. Basta analisar e nem precisamos de recuar muito no tempo. Vamos só até ao tempo das nossas bisavós…

 

Como que raio viviam elas sem frigoríficos? Onde se guardava a comida? Os frescos? Os iogurtes? Não haviam iogurtes, nem gelados, nem donuts, nem crepes, nem pizzas congeladas, nem nada… Comiam “o pão duro que o diabo amassou” (adoro estas expressões antigas). Pior, muitas vezes eram elas quem fazia o pão. E apanhavam os cereais, moíam o grão e ainda amassavam. Sem máquinas. Umas verdadeiras heroínas!

 

E o forno? A lenha! Ou fogueira, não sei bem. Mas qual fogão ou forno eléctrico ou micro-ondas. Nesses tempos, claramente eu não sobreviveria. Nem sequer imagino a vida sem máquina de lavar roupa. Nos anos sessenta esta foi uma das grandes mudanças na vida das mulheres portuguesas. Uma espécie de libertação. Estou mesmo a ver, eu, Vera Lagos, a lavar no tanque durante horas com sabão azul e branco e depois ir estender a roupa no quintal... De lenço branco na cabeça e avental com florinhas que nem Beatriz Costa na “Aldeia da Roupa Branca”. A seguir ir para casa, fazer brasas e passar a ferro… À luz das velas.

 

 

Seria romântico ou não seria? Claro que sim. Ainda bem que não havia luz. Senão o meu “homem” só ia ver mãos gretadas, cabelo espigado, unhas partidas, rugas que me davam mais 15 anos, pêlos nas pernas, nas virilhas e nas axilas maiores que os cabelos, buço, etc. Eu sei lá… Mas claro que sem luz, televisão, carro para ir “dar uma volta” (e sítios para ir dar uma volta), computador, internet, telefone, playstation, wii, dvd, telemóvel, mp3, cinema, etc, não admira que a taxa de natalidade fosse tão elevada…

 

Não consigo imaginar a vida sem muitas destas invenções. Outras, como o aspirador, ar condicionado, varinha mágica, a famosa “1,2,3” ou mesmo as mais complicadas como a banheira, sanita, água canalizada ou luz à distância de um interruptor são invenções extraordinárias. E que mais haverá para inventar? Não sei. Talvez muitas coisas. Mas tudo me leva a crer que vivemos em tempos fantásticos. Aliás, no melhor dos tempos…

 

Para começar não precisamos de ser escravas da vida doméstica. Depois, ouvimos música quando queremos, falamos com quem queremos e quando queremos (ainda que por vezes seja chato estar sempre contactável), podemos seleccionar o que vemos e o que lemos e “beber cultura” – como diz a minha querida Carina - sempre que nos apetece. Temos máquinas que fazem quase tudo por nós, temos acesso a informação constantemente (com todos os perigos que isso também acarreta) e temos entretenimento sem fim. Agora o difícil é mesmo escolher e ter tempo para tudo.

 

No fundo, temos uma vida muito mais fácil e nem nos apercebemos. Todas estas máquinas há cem anos atrás seriam “coisas do diabo” para as nossas bisavós e avós. Para nós são só instrumentos do quotidiano. E podíamos viver sem eles? Se calhar podíamos. Afinal a necessidade aguçou o engenho e nós habituámo-nos a ele. Mas a verdade (como diz o anúncio) é que não era a mesma coisa!

 

 

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publicado às 23:37



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