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Um Fiat Uno Azul

por reporterdesaltosaltos, em 05.10.12

Se eu tivesse tido um Fiat Uno azul como o da imagem se calhar não tinha tido tantas chatices. Mas de certeza que também não me tinha divertido tanto! Em Fevereiro de 2012 eu contava esta história...

 

Ia a 200 na A1... A viagem mais louca!

 

Bem não ia exactamente a 200 mas ia na A1. O que vos vou contar é só a viagem mais louca que alguma vez podia ter feito. É giro como na altura dos acontecimentos tudo nos parece tão dramático e depois se transformam em histórias tão curiosas que só quem as viveu acredita mesmo que aconteceram.

 

Na altura em que decidi ser assessora de imprensa (freelancer) em desportos motorizados iniciei na minha vida um extraordinário rol de aventuras. Uma delas e das que mais vezes conto é a viagem inaugural deste meu novo ciclo. Em pleno mês de Março, começava o campeonato nacional de motocross, no Cróssodromo do Casarão (é  a “catedral” deste desporto) em Águeda e lá fui eu, depois de convencer a minha grande amiga – Alexandra – a cometer a loucura de vir comigo.

 

A viagem para lá, não foi nada de especial. Quer dizer, fomos no meu Fiat Uno azul que tinha quase tantos anos como eu, carregadíssimo. Parecia que estávamos a mudar de casa. Malas de mulher para dois dias (tradução: roupa para 10 dias e para todas as ocasiões) material informático, fotográfico e de escritório, publicidade, máquina de café… Tudo o que possam imaginar. Era a minha primeira vez a trabalhar sozinha e queria estar preparadíssima.

 

Lembro-me que demorámos cerca de três horas e meia de viagem. E quase não saímos a tempo da A1 porque estava a conduzir sem óculos e eu sou quase um “morcego”. Entrámos na “nacional” já a escurecer e a Xana de co-piloto com o mapa de Portugal aberto ia dando indicações. Nem sei bem como, lá chegámos à pista e para não variar fomos super bem recebidas. Em Águeda é sempre assim. Jantámos com a organização e fomos para o hotel que eles gentilmente nos tinham marcado. Era claro um hotel simples e agradável mas o quarto era tão pequeno que quase não podíamos circular em simultâneo.

 

 

No dia seguinte, voltámos à pista às 7:30 da manhã, improvisámos um gabinete de imprensa, montámos publicidade e fizemos café - sem a minha amiga eu acho que não teria conseguido fazer tudo. E começaram novas aventuras. Nos treinos não conseguia “atinar” com a máquina fotográfica e perdi um telemóvel. A Xana enterrou-se na lama quase até aos joelhos e perdeu um dos sapatos (que depois recuperou). Já tínhamos lama por todo o lado… Surgiram os primeiros problemas de imprensa. Eu resolvi. Almoçámos. Começou a corrida e aquele primeiro arranque - admito - é de cair para o lado! Muita adrenalina! Quando se está na primeira curva e 30 motos potentes vêm direitinhas a nós… Nem dá para explicar! A contagem decrescente começa aí e a tristeza também. Duas horas depois sabemos que a corrida acabou, desmontamos tudo e vamos embora.

 

Claro que quando pensava que estava tudo a terminar estava mesmo era a começar. Quando fomos para o carro ele não pegou mas eu não estranhei. Pensei em “dar-lhe tempo”, fomos jantar e tomar um último café. Voltámos ao carro e ele não pegou novamente. O impecável pessoal do Ginásio Clube de Águeda ajudou a empurrar o carro e lá conseguimos começar a viagem de regresso.

 

Todas contentes, com o carro ainda mais carregado, entrámos na A1. Liguei o rádio que dava estação sim estação não estação não estação não. Estação sim mas com xxxxxxxxx por cima da emissão. Liguei o aquecimento. Acho que estávamos a chegar a Coimbra, decidi ultrapassar um camião numa subida e quando estava a meio da manobra, comecei a sentir uma certa “resistência”. Aqui a “totó e inexperiente” pensou “É do vento”. Começámos a descer a A1 e ficou tudo bem. Começámos a subir e aconteceu o mesmo. Repetição durante duas ou três subidas e eu e a Xana começámos a questionar o porquê e como resolver.

 

 

“É do rádio”, “É do aquecimento”. Desligámos o rádio e o aquecimento e vestimos mais uma grossa camada de roupa. Mal conseguia conduzir. Mas o carro continuava na mesma. “O carro está muito carregado lá atrás” “ Claro e é da lama ou do pó que foi para o motor”. E começámos a trazer as coisas da parte de trás do carro para a frente. Continuava a piorar…

 

A partir daí foi inacreditável. Já não me lembro se rimos, ou chorámos, ou rimos e chorámos mas parece que foi mesmo foi de chorar a rir. Fizemos a A1 toda aos ziguezagues. A descer íamos a 150 e a Xana só gritava “Acelera, Acelera!”. Eu só rezava para não haver carros na estrada e chegava-me cada vez mais à esquerda. Só conseguia pensar “Meus Deus, o carro vai-se desconjuntar todo, coitadinha da Xana”.

 

 

O pior era a subir. Até meio das subidas ele ia bem mas depois começava a perder velocidade. Ninguém vai acreditar – eu sei – mas perdia velocidade do tipo 150, 80, 50, 40, 30, 20. Eu começava a atravessar tudo para o lado direito e quase no topo já não ia na estrada mas a 20 à hora na berma. Até dávamos solavancos dentro do carro a pensar que ia andar mais uns metros…

 

Quando chegávamos ao topo, respirávamos de alívio, ríamos que nem umas doidas e começava tudo de novo. Eu acreditava sempre que na próxima subida a coisa se ia resolver. Mas não se resolveu. Até Lisboa a Xana ordenava “Acelera, acelera!” e nas subidas fazíamos o percurso 150, 80, 50 até 20 na berma da estrada. Sempre com o coração nas mãos e a pensar quando é que os 20 se transformavam em 10 e parávamos de vez.

 

Cada vez mais próximo de Lisboa surge uma nova dúvida. Que raio vai acontecer quando tivermos mesmo de parar na portagem em Alverca? Nada. Não aconteceu nada! Abrandei (a rezar), paguei, arranquei e nunca mais aconteceu a cena “subida/descida ai ai ai meu deus”. Respirámos de alívio e fomos a Telheiras entregar uns documentos a um jornalista (já era uma ou duas da manhã). E aí surge um novo problema.

 

A caminho de Telheiras o carro começou a aquecer, a aquecer, a aquecer, e nós nova e completamente em pânico! Quando chegamos ao pé do jornalista praticamente não parámos. Acho que atirámos os papéis pela janela e eu acelerei a fundo – devia pensar que chegando mais depressa o carro arrefecia… Passámos a ponte com o coração nas mãos e pouco depois (que na altura parecia uma eternidade) chegamos a casa dela. Claro que a temperatura estava no limite. Mesmo no último “tracinho” vermelho. Mais uma vez respirei de alívio. Pelo menos ela já estava a salvo.

 

 

Comecei então o caminho para minha casa – depois de o carro arrefecer uns cinco minutos!  Totó! Acho que fui a 20 à hora e não porque o carro não queria andar mas porque não podia mesmo. Cerca de 20 minutos depois cheguei a casa. Estava mesmo a estacionar e o carro desligou-se sozinho. Pronto morreu mesmo – pensei. Mas não.

 

E esta é outra em que simplesmente não vão acreditar. No dia seguinte contei tudo à minha família, o meu irmão fui ver o carro e pegou à primeira! “Deves ter sonhado. Está tudo ok. Só é preciso pôr água no radiador...” disse ele. Dá para acreditar?

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publicado às 19:20



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