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Rosa que murcha morre

por reporterdesaltosaltos, em 07.09.12

A minha avó Amélia, que era bastante crente nos seus santinhos passou a minha infância a repetir uma história sobre uma rosa. Contava que tinha feito uma excursão com o meu avô e apesar de não me lembrar onde, lembro-me perfeitamente dessa história. Tinham visitado um santuário e junto à santinha havia uma rosa. Uma rosa que murchava quando alguém se aproximava mas que rejuvenescia quando as pessoas se afastavam. Rosa cor de salmão. Não percebo muito bem mas a minha avó dizia que era um fenómeno e que era linda! Claro que a minha avó, tal como eu, sempre teve uma certa tendência para o exagero...

 

Apesar de tudo aquela história exercia sobre mim algum fascínio. Será que a rosa era mágica? Será que há rosas mágicas? Será que vemos aquilo em que acreditamos? É fé? Ou ilusão? Há de facto rosas que são lindas. Mas só são lindas se se mantiverem no jardim. Dentro daquele cenário. Ao longe. Sem lhe tocarmos. Porque se nos aproximamos acontece o mesmo que à rosa do santuário. Ao perto, murcha e perde o encanto. É melhor nunca lhe tocar porque ao contrário daquela rosa, quando o encanto desaparece, não regressa quando nos afastamos. Desaparece. E de vez porque na vida quase tudo o que murcha em pouco tempo morre.

 

 

Há coisas que devíamos conseguir sempre manter afastadas de nós. A uma distância de segurança. Ou por outro lado, num patamar inatingível. Como uma montra Manolo Blahnik. Nós vemos a montra mas não entramos na loja e muito menos experimentamos o produto. Ficamos sempre com a ilusão que se experimentássemos nos podia ficar fabuloso. Mas para o caso de nos ficar muito mas mesmo muito mal, garantimos que jamais o saberíamos. Assim, aqueles maravilhosos sapatos cor de rosa Manolo Blahnik ficavam num pedestal. Seria sempre um desejo mas nunca uma desilusão.

 

Não sei aquela rosa era verdadeira, imaginária ou mágica. Adorava que fosse mágica, gostava que fosse verdadeira mas infelizmente acho que era imaginária. Um desejo. Uma pequeníssima ilusão. Não gosto muito de rosas salmão. Gosto delas vermelhas ou cor-de-rosa, grandes, abertas e com picos. O melhor de tudo é que se todos os dias há rosas a murchar e a morrer há também  rosas a nascer e a alegrar o nosso dia. Enquanto houver dia e noite, sol e água, felizmente elas continuam a nascer...

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publicado às 21:45



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