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He’s not there anymore - A importância de um cortinado

por reporterdesaltosaltos, em 03.08.12

Mudei de cortinado. Quando me mudei para a minha casa actual tive de comprar uma tonelada de coisas assim meio à pressa. O cortinado da casa de banho foi uma delas. Fundo verde vivo, cheio de borboletas e espirais  rosas, azuis e amarelas. Um flash, sim! Acho que condizia com aquele início de vida. Cheio de força e de alegria. Berrante! Fazia sentido...

 

Nas últimas semanas andava a reparar que estava a ficar bolorento. Não é que tivesse muito tempo para reparar porque ando a duches frios. Mais rápidos que o Speedy Gonzales e com mais gritos que o “Scary Movie”. O raio do termoacumulador avariou de novo e não consigo encontrar ninguém que o arranje! Estou a dispersar... Comecei a reparar que estava a ficar bolorento. Bem, não estava a ficar. Estava mesmo bolorento.

 

Ponderei bastante sobre uma eventual substituição. Os homens raramente nos percebem e deve ser por causa de pequenas coisas como esta. Os homens provavelmente iam demorar anos - eu devo ter demorado meses - até se aperceberem do bolor. Só se estivesse em muito mau estado e quem sabe todo roto é que decidiam agir. Tiravam-no ainda antes de sair de casa e colocavam-no no lixo. Compravam outro. Colocavam no varão e pronto. Mas eu sou mulher, logo as coisas simples complicam-se e muito!

 

É nesta altura em que sinto tenho dupla personalidade e me divido entre o Sherlock e o Watson. Porque raio é que este cortinado tem assim tanta importância para mim? Caramba é só um cortinado! Porque é que eu não vi mais cedo que ele tinha bolor? Quer dizer - não deve ter aparecido de um dia para o outro! Será que eu não reparei mesmo? Ou não quis reparar? E porquê? Hum? Hum? E porque é que só reparei agora? Hum... Sim todas pensaríamos o mesmo porque todas – menos os leitores homens, óbvio – somos mulheres. Não sabemos fazer a coisa por menos!

 

 

Começo a fazer flashback... Espera... Mas eu já tinha ponderado esta questão... Há muito tempo mas tinha... Aliás, eu até tinha procurado cortinados. Sim agora que me lembro... Entrei na loja várias vezes, verifiquei as medidas, apalpei o tecido para perceber a qualidade do produto, li as instruções para ter a certeza que compreendia tudo. Só nunca comprei. Não estava preparada para mudar de cortinado!? Se calhar não!

 

Entretanto, o bolor começou a parecer-me cada vez maior. Cada vez mais irritante. Tentei lavar mas não saía! Já me incomodava saber que ele ainda estava lá! Precisava de um novo cortinado. Fui comprar. Meia hora indecisa entre transparências e riscas. Um tipo ao fundo (girito vá) também estava indeciso mas com tampas de sanitas. Pediu-me ajuda. Really? Really? Como era louro ajudei. E no regresso à minha secção encontro apenas uma unidade – que juro que não estava lá da primeira vez - com estrelas do mar e peixinhos. Fundo branco. Cores suaves – não parece nada meu pois não? Comprei sem hesitar. Porque às vezes é preciso escolher o que nunca escolheríamos, ir onde nunca iríamos e fazer o que nunca faríamos para mudarmos completamente a nossa perspectiva.

 

Cheguei a casa e fui directa à casa de banho. Olhei para o cortinado verde vivo e bolorento. Não senti nada. Absolutamente nada. Mas como é que é possível??? Será que sou uma pessoa sem sentimentos? Nadinha? Nada! Ou estou curada ou estou imune - ao sentimento pelos cortinados como é óbvio. Sendo que a esquizofrenia também é uma possibilidade. Coloquei o novo. Mais calmo. Sereno. Vou começar de novo...

 

Update. Sim estou ligeiramente mais morena de pele. Mais ruiva de cabelo. Bastante mais serena. E grata por tudo o que o universo me trás de melhor. Segue em frente. Não olhes para trás. Já não olho...

 

Agora só preciso de um voluntário para pequenas tarefas domésticas. Arranjar o termoacumulador, as torneiras, o varão do quarto que já parece a torre de pizza mas na horizontal e encher os pneus do meu carro – antes que eu os rebente sem querer. Há coisas para as quais um homem faz muita falta!...

 

Vou tomar duche e experimentar o cortinado novo. Porque o outro... He’s not there anymore!

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publicado às 14:53



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