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Diário ofegante de uma iniciante ao running!

por reporterdesaltosaltos, em 25.02.15

 

Pronto eu não queria mas teve de ser. Sou daquelas chatas de m**** que é magra tipo Olivia Palito mas com 1,61m, tenho o metabolismo supersónico e imensa dificuldade em ganhar peso. O que faz de mim uma "esganada" de fome, ou melhor, uma gulosa, porque simplesmente posso! Adoro comer, comer muito e de boca cheia. Sou o tipo de pessoa que não se deve levar a uma festa/restaurante chique. Além do risco de passar vergonha, tenho a rapidez e a agressividade de uma chita a correr atrás da presa sempre que uma bandeja se atravessa no meu campo de visão. Qual é problema? O sacana do colesterol! A solução? Exercício. E pronto, teve mesmo de ser...

 

O meu desporto preferido é não fazer nada! Faço mil coisas todos os dias, tenho mil atividades, trabalho intelectual ao mais alto nível, e também faço exercício físico. Quer dizer... Dentro de casa ando de um lado para o outro sempre que é necessário, abro e fecho armários, sento-me e levanto-me, levanto e baixo os estores (apesar de serem elétricos), aspiro, limpo o pó, faço a cama, estendo roupa, cozinho e sei lá mais o quê. Juro que não consigo perceber porque é que estes exercícios não contam como exercício nem baixam o colesterol.

 

Pois que faço exames, tenho uma saúde de ferro mas o colesterol de um fritólogo profissional (mamífero que só come fritos). Medicação? Sim podia tomar mas não quero. Já me custou desmamar dos medicamentos da asma. Não quero viver drogada nem sofrer outra fase de desintoxicação. Então, o melhor, é mesmo fazer exercício à séria. Depois do Natal, que abusei em sonhos e sonhos de abóbora, entre a dúzia e meia dúzia de cada vez, senti que o óleo circulava pelas minhas veias como água no mar. Comecei a sonhar com a possibilidade de um avc. Ia jurar que quase tive um mas também pode ter sido um ataque de pânico...

 

Á prevenção comecei a pensar que seria uma boa altura para começar a correr. Coisa que nunca gostei e raramente fiz. Nem quando andava na secundária eu corria para apanhar um autocarro. Preferia chegar atrasada a sentir o coração a sair-me pela boca. Mas estava eu a ler uma revista e encontrei um artigo do género "aprenda a correr sem esforço num programa de trinta dias". Olhei para o plano sem grande interesse mas pareceu-me relativamente fácil e como o que tem de ser é muito forte... Também pensei logo nas "não-coincidências" da vida. Aquele artigo, quase de certeza, foi escrito para mim, apesar de não conhecer o jornalista, nem ele me conhecer a mim.

 

Primeiro passo. Logística. Não tinha uma única peça de roupa de desporto em condições para circular em plena rua. Estava tudo russo e/ou roto, muito perto da versão Robinson Crusoe. Nem sequer tinha um par de ténis que não fosse para veranear. Fui às compras a uma dessas grandes cadeias que vende tudo baratinho - não queria investir muito sem perceber que tipo de corredora sou - e cheguei a algumas tristes conclusões...

 

Ou fui num dia de muito movimento/vendas ou são muito escassas as calças com número 34. Em desespero de causa arrisquei no 36 e mesmo assim foi uma missão quase "impossível". Não percebi porque é que as t-shirts têm tantos buracos dos lados até começar a correr e sentir que estavam 40º num dia de 12º. Nem porque é que os casacos parecem folhas de plástico florescentes até correr junto ao mar, com uma ventania desalmada, e sentir-me imune ao vento. Nem percebo porque é que a loja, ou melhor, qualquer loja, não tem números 35 para adulto. Lá fui eu (outra vez) comprar ténis na secção de crianças. Cor-de-rosa, claro. Não havia noutra cor. Por pouco não trazia uns da Violeta. 

 

cheetah-running.jpg

 

 

Seguiu-se um dia de preparação psicológica, obviamente a debater-me, sentadinha no sofá e mais tarde no quentinho da cama. "Amanhã vou correr! É que vou mesmo! Nem que chova. Quer dizer se chover também não posso ir assim à doida. E se me constipo? Depois fico em casa a recuperar, como umas coisinhas boas para ficar melhor e quando der por isso, mais colesterol. Não! Nem pensar! Amanhã vou correr! A não ser claro que aconteça alguma coisa que me impeça..." A ir para o quarto quase torci o pé. Estive a milímetros de partir o tornozelo e a segundos de ter uma boa desculpa para não ir fazer o tal de "running".

 

Dia seguinte. Estava frio mas lá me vesti. As calças são espetaculares. Fico mesmo uma brasa. Mas a verdade é que são tão apertadas que qualquer mulher fica uma brasa ou em brasa por não caber nelas. O top era super sexy mas como ia correr à beira-mar não arrisquei e aviei-me em terra. Vesti um camisolão exageradamente felpudo e o casaco de plástico amarelo florescente. Coloquei os óculos de sol e fui de carro até à praia. A primeira dificuldade. Onde deixo a carteira que não cabe no casaco? Escondo no carro? Estará alguém a ver? Guardei a carteira e voltei a estacionar mas mesmo em frente a uma esquadra...

 

Caminhei até ao pontão. Preparei o cronómetro. Arranquei. A série era de 15 minutos (enganei-me e fiz 20), 4 a andar e 1 a correr. Primeira volta tudo ok. Ganhei confiança e pensei que podia fazer melhor. Segunda volta tudo ok até correr. Como podia fazer melhor desatei a correr que nem uma chita albina - já que sou branca como a cal. O minuto acabou e juro que o meu coração, já a sair pela boca me disse aos gritos "se continuas assim a nossa relação está em sério risco de terminar contigo esticada no chão". Obviamente a terceira volta começou e terminou lenta e no último minuto, o da corrida, estava em sprint gravado em câmara lenta. Na quarta volta o meu corpo fraco já se tinha habituado à dor mas sei que eu e ela nunca vamos ser grandes amigas...

 

Dormi que nem um anjo e acordei com algumas dores musculares. Antes de me levantar pensei umas quantas vezes "Dói-me tudo... Vá a maioria dos músculos do meu corpo (ou o que está no lugar deles que músculo não é de certeza) e se calhar hoje devia "saltar" o treino." Levantei-me e pensei "Vou correr! Assumi um compromisso comigo e com a minha saúde. Vou cumprir os meus objetivos mais dolorosos! Eu sou capaz." Vesti-me, saí de casa e fui correr ali perto. No segundo dia, de facto, já não custa tanto. Afinal, é só mesmo uma mudança de hábitos e quando eles se entrenham, o difícil é desentranharem-se. Pelo menos é um bom hábito...

 

E já agora, visitem este blog, no mesmo estilo do meu. É de uma amiga. Também ela faz o possível para melhorar os seus hábitos. Escrever é um deles. Aqui fica http://umcertomaufeitio.blogspot.fr Divirtam-se! 

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publicado às 20:20

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