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Já cheira a Natal!

por reporterdesaltosaltos, em 26.10.11

Finalmente o Outono começa a dar de sua graça e as primeiras chuvas a sério até já fizeram estragos. Sinceramente, eu já estava farta de calor, de praia, de turistas urbanos que visitam a Costa aos magotes e depois dizem que nunca vêm cá... Eu gosto do Verão mas acho que sou mais do género Inverno. Principalmente porque Inverno para mim sempre significou Natal! E o Natal é a minha época preferida do ano. Para mim era sempre Natal! De 25 de Dezembro a 25 de Dezembro do ano seguinte, se não fosse por vergonha eu nem desmontava a árvore. Garanto que não era por preguiça. Era mesmo por gosto!

 

O que é que o Natal tem para não se gostar? É a festa da família! Mesmo quando temos problemas com a nossa, pelo menos neste dia, tentamos ser mais pacientes, perdoar um pouco e tentar conciliar as diferenças. Nem sequer coloco em questão a religião. Já expliquei que a minha família é ridiculamente católica não praticante. No fundo, acho que somos é todos cristãos. Gostamos, admiramos e apoiamos a história de Cristo, só que não praticamos, nada, de nada... Fosse ele ou não filho de um Deus, a verdade é que enquanto ser humano teve muito de divino. A sua história permanece entre nós, mais de 2000 anos depois do seu nascimento e continua a inspirar-nos. Queiramos ou não, o seu nascimento (eu sei que não terá sido a 25 de Dezembro) é um marco histórico para a humanidade.

 

Os Natais na minha casa, por mais pobres que fossem, foram sempre uma grande festa. Os meus pais, sobretudo o meu pai, sempre teve um talento especial para tornar o Natal uma época verdadeiramente mágica. Acho que lhe herdei essa característica. Podíamos não ter onde cair mortos mas de alguma forma, com algum gesto ou surpresa, sempre tive Natais inacreditáveis. Hoje, faço o possível e muitas vezes o impossível, para fazer exactamente o mesmo com a minha família. E fico "a babar" quando pergunto à minha sobrinha qual foi o melhor Natal de sempre e ela me responde a rir "é o próximo" porque eu consigo sempre fazer uma maior e/ou melhor surpresa! Eu vivo muito para o Natal! O mau é que um dia destes posso ter uma crise de criatividade!

 

 

Os meus avós, Jacob e Amélia, que sempre viveram connosco, também faziam desta celebração algo inesquecível. A minha avó Amélia - que claramente devia ter sido artista - colocava a televisão no máximo, cantava e dançava pela casa, sempre de vestido e de avental. Num tempo em que eu sonhava com as férias de Natal e as tardes eram recheadas com o Natal dos Hospitais, a minha casa enchia-se ainda com mais alegria. O meu avó apanhava as couves na quinta e comíamos com bacalhau, nunca, mas mesmo nunca à meia noite. Depois começávamos a falar em ir à missa do galo. Coisa do género "este ano devíamos ir à missa". Nunca fomos... Porque por volta da meia noite já andava eu aos saltos em cima do sofá, aos gritos, a abrir os meus presentes e os de todos os que não os abriam para eu o fazer mais tarde. Era uma grande festa! Com a cumplicidade da minha avó fazíamos pequenos buracos nos embrulhos para ver o que eram e depois de os abrir a minha avó "guardava-os" temporariamente (para quase todo o sempre) para eu não os destruir! Foi nesta fase que muitas da minhas bonecas se transformaram em skins...

 

E há lá melhor comida que a de Natal? Bacalhau com couves, bolo rei, filhoses, frutos secos, carne assada com batatinhas, lampreia e rabanadas? Amo rabanadas! Não adoro! Amo! Acabadas de fritar, carregadas de açucar e tão quentes que quase ficamos com dor de barriga. Tão bom! E o arroz doce da minha avó? É que não há igual! Hoje em dia, a minha mãe continua a fazer as filhoses alentejanas mas é sempre o mesmo filme. Já não tem muita paciência. Então, ela faz a massa e eu e a Nádia esticamos. Começamos por fazer tudo bem, fininhas e tal, e passada uma hora, já estamos também sem paciência e a espessura iguala a das rodas do meu carro. Mas comem-se na mesma. Acho que o ritual é o que tem piada. É isso que nos une.

 

Nos últimos 15 anos tenho vivido para retribuir os Natais com que me presentearam e tentado de todas as formas mostrar à minha sobrinha que as prendas são espectaculares mas tudo o que as envolve é o que de facto é importante. É estar com a família e preparar aquele dia. É dar muito mais do que receber. Porque nos dias que correm em que tanto se fala de crise, os presentes não têm mesmo importância nenhuma. Afinal, nos meus tempos de miúda, era uma pobre e feliz sem nada. Absolutamente nada. Não é o que devíamos ser todos? Felizes mesmo sem nada?... 

 

Mantendo a minha tradição, vou agora montar a minha árvore. Sim, cerca de dois meses antes. Sempre foi assim. Sempre será... Viva o Natal!

 

Para abrir o apetite, apresento-vos Michael Bublé:

http://www.youtube.com/watch?v=A_0feq3s_9I&ob=av2n

 

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publicado às 22:11

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