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Mails. Mails, mails e mais carradas de mails! Nunca pensei que um blog tivesse um impacto assim. Recebo alguns comentários, interessantes e corajosos, sobretudo de amigos mas o que eu mais recebo são mails. Nunca pensei atingir tantas pessoas! É ASSUSTADOR! Tenho posts com mais de 100 mensagens! Leio todas mas não consigo responder. Adorava responder mas não consigo mesmo – só se contratar uma assistente - por isso as minhas mais sinceras desculpas. Ainda assim, MUITO OBRIGADA A TODOS! Têm sido fantásticos e prometo em breve um post para responder a algumas questões e satisfazer a curiosidade geral...

 

Estas coisas da escrita sempre me deixaram preocupada. Até que ponto somos influenciados pelo que lemos e até que ponto influenciamos quem nos lê? Pessoalmente sou bastante influenciada pelo que leio. No entanto, não imaginava a influência da minha escrita e muito menos a dimensão que o meu blog tomou. Todos os dias há pessoas que me escrevem. Viram o meu blog por acidente, um amigo enviou o link, alguém lhes falou em mim... O mundo é pequeno.

 

O mais engraçado é a diversidade. Há pessoas de todo o país, com níveis culturais (e penso que sociais e económicos) completamente diferentes, de várias idades, de ambos os sexos, de vários credos, convicções e até clubes de futebol. Todas me enviam mensagens maioritariamente positivas ou muito positivas e todas elas têm algum em comum. Identificam-se comigo, contam-me as suas histórias, fazem-me confissões, pedem-me conselhos. Muitos dos meus “leitores” – meu deus já digo leitores! – acham que me conhecem e que eu vou ajudar a resolver os seus problemas. Infelizmente não tenho como e não sei a fórmula mágica. Mas identifiquei um problema que me parece transversal. A solidão.

 

Num dia destes durante o almoço (eu cozinhei, sim porque eu ando a tentar cozinhar...) em que eu comentava exactamente este fenómeno, um “muffin” disse-me “O problema não é estarem sós, é não saberem estar sós”. É curioso porque quem melhor me conhece sabe que eu me farto de repetir isto mesmo. Não é que o ser humano não goste de estar só, simplesmente não sabe viver sozinho. E quando as pessoas não estão bem sozinhas, nunca estão bem com ninguém. Depois precipitam-se e procuram fugas que as conduzem a infelicidades ainda maiores.

 

Eu sempre me dei muito bem sozinha. Aliás, muito melhor. Sempre apreciei a solidão. Acho que isso se explica pelo facto de desde muito cedo ter aprendido a superar os problemas, seguir em frente e sorrir. Até mesmo quando não haveriam motivos. Aprendi a gostar muito de mim e sinto-me bem comigo mesma. Compreendo a solidão e não me assusta. Dá-me um certo distanciamento, uma independência equilibrada e uma liberdade que eu aprecio. Sinto conforto na solidão (óbvio que não constantemente) e se calhar isto também pode ser um problema mas no reverso da medalha. Sei no entanto que o mesmo não se passa com o resto do mundo.

 

 

O ser humano está só. Está profundamente só. Sofre de uma horrível forma de solidão. Acho que sente permanentemente o que é “estar só no meio da multidão”. Infelizmente não tenho solução para isto. Mas acho que existe uma. Tem é de ser encontrada dentro de nós e não nos outros. Quem se lembra de um anúncio de leite que dizia “se eu não gostar de mim quem gostará?”. Acho que o caminho é mesmo esse. A solidão acaba e a felicidade começa quando nos encontramos. A partir daí, nada mais nos assusta. Nada mais nos afecta quando estamos bem connosco. Passamos a estar sempre acompanhados pelo melhor acompanhante que se pode ter. O próprio.

 

Há uns meses atrás estive em Boston. A minha primeira “grande” viagem de trabalho (e grande viagem) e vou logo para os Estados Unidos – eu bem tenho a mania das grandezas... Comigo é mesmo assim! Se é para fazer é para fazer a sério! Antes de ir tive alguns momentos de dúvida. Pensava “Vou estar praticamente sozinha, no outro lado do mundo, a tomar conta de duas jornalistas e nem sei se vou conseguir tomar conta de mim. Vou parecer uma “atada”! Mas depois da “aventura” do embarque e do desembarque, saí do aeroporto e já me sentia a nova rainha americana. Houve uma tarde em que andei completamente sozinha e perdida nas ruas de Boston. Curiosamente, mais segura de mim do que em qualquer momento da minha vida, não houve um único segundo em que sentisse só. Estava rodeada de gente que não conhecia, que não falava português, que nada tinha a ver com a minha cultura e muito menos comigo. Mas senti-me bem. Mesmo sozinha, no meio da multidão, senti-me sempre bem...

 

Por isso, meus caros amigos/as, conhecidos/as, leitores/as a única coisa que vos posso dizer, ou melhor cantar, é a “minha” versão do refrão do “Estou além” do enorme António Variações…


“Estou bem,

Aonde eu estou
Porque eu só quero ir
Aonde eu já estou…”

 

O único conselho que posso dar…. Encontra-te e jamais estarás só!

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publicado às 13:45

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