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Eu sou o que sou

por reporterdesaltosaltos, em 11.02.10

 

Esta semana fui ver o soberbo espectáculo “A gaiola das loucas” do grande La Féria. Tenho a dizer que do início ao fim, simplesmente não se pode apontar nada. Os bailarinos, o cenário, a música, a adaptação do texto à realidade portuguesa, as luzes, a organização, o guarda-roupa, o glamour, o elenco… Tudo absolutamente perfeito! Até os pequenos enganos são perfeitos! A estrela principal é a “Zaza” - José Raposo – e é a mais espectacular de todas as “Zazas” que conheci.

 

A peça foi escrita por Jean Poiret e estreada pelo próprio em 1973, em Paris. É baseada na história de um casal gay que vive do espectáculo de um cabaré travesti e onde Zaza é a estrela. Tudo bem (diriam) não tivessem eles um filho que se apaixona e quer casar com uma rapariga de família ultraconservadora. A partir daqui podem imaginar…

 

José Raposo é Zaza. Ma ra vi lho so! Ou ma ra vi lho sa? Corre o palco várias vezes, de vestido justo e até aos pés, de sapatos de salto de 12 cm, em espaços minúsculos, a subir e a descer escadas como eu própria jamais conseguiria. Representa, dança, canta e (lá vou eu em mais um cliché) encanta. No final do primeiro acto canta a solo e deixa qualquer um de rastos. A tristeza da personagem atinge a plateia em cheio. Por momentos, o silêncio é geral, tenso e quase assustador, mas quando Zaza acaba de cantar só apetece saltar da cadeira e gritar “Bolas! Vivam os gays do mundo!”.

 

 

 

Mais do que um espectáculo em que nos deslumbramos e rimos do princípio ao fim, é uma verdadeira reflexão sobre a liberdade de expressão e a igualdade. Em pleno século XXI custa-me acreditar que tantos de nós, tão letrados, tão bem informados, ainda temos preconceitos assim.

 

Qual é o problema em ser diferente? Ou melhor, em ser naturalmente diferente?

 

Eu sou hetero assumidíssima e adoro! Mas respeito quem não é e não consigo mesmo compreender quem tem este preconceito. Assumo também que durante muitos anos me posicionei politicamente à direita mas de facto esta é uma daquelas questões com as quais eu nunca poderia concordar.

 

Quem sou eu para ditar o que está correcto? Ou o que é normal? E o que é normal não será ser fiel à própria natureza? E se a própria natureza é diferente porque há-de ter mal? Os gays, lésbicas, transexuais (etc) têm algum voto na matéria sobre o casamento ou quaisquer outras questões consideradas hetero? Então porque raio temos nós o direito de opinar sobre a vida deles?

 

Não quero defender hetero nem homo mas o que se discute não são mesmo direitos humanos? E mais grave… O direito de ser feliz? Se a natureza ditou que só estão completos com uma metade igual, qual é o problema? Desde que sejam felizes e como qualquer ser humano não cometam crimes graves (daqueles que dão cadeia) eu fico feliz por isso! Não sou nada o tipo de “portuguesinha” que se incomoda com a felicidade dos outros. Pelo contrário. Fico muito feliz quando os outros também o ficam.

 

E tal como a música que o José Raposo tão brilhantemente interpreta - Eu sou o que sou - a verdade é que cada ser humano é o que é e deve orgulhar-se disso desde que seja feliz e ou faça alguém feliz. Por isso, viva a diferença! Viva o glamour, a cor e ao brilho da vida. Viva o ser humano. Seja ele gay, lésbico, transexual, hetero, bisexual, whatever… Viva o direito de ser feliz!

 

E já agora… Viva a CWT que gentilmente ofereceu o bilhete e viva a minha amiga e colega Paula Henriques que foi uma companhia fantástica!

 

Eu também sou o que sou de Saltos Altos

 

 

 

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publicado às 23:53

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