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Agora não?

por reporterdesaltosaltos, em 13.06.12

Há uns dias falava com uma amiga sobre a sua relação. Ou não relação. Não sei bem. Acho que nem ela sabe. E ela utilizou uma excelente metáfora para falar nisso “Ele acha que eu sou como um livro. Folheou, começou a ler, leu um ou dois capítulos e depois colocou-me de volta na prateleira. Daqui a uns anos talvez pegue em mim novamente... Mas agora não. Somos só amigos.” Acho que é uma metáfora muito boa mas deixou-me furiosa! Então ele diz “agora não” e é suposto ela ficar mesmo à espera?

                   

Por mais que tente não consigo perceber estas situações. Portanto, duas pessoas conhecem-se, gostam-se, namoram-se e depois uma recua? O problema não é bem recuar. Isso acho normal. Eu também já recuei porque achava a pessoa a errada para mim. Mas quando se encontra a pessoa certa e é o timing errado, colocamos a pessoa em espera?

 

Ora vejamos – na perspectiva de quem se farta de ler... Andei a passear pela livraria, vi vários livros que me despertaram a atenção. Estava indecisa então um clássico e algo novo. Decidi-me pelo livro mais novo que sempre tem ideias mais refrescantes. Levo para casa, começo a folhear. À noite pego no livro e começo a ler à séria. Leio um, dois, três capítulos mas começo a perceber que a história não me está a despertar emoções. Paro o livro e/ou coloco na prateleira?

 

 

Eu sou do género que lê o livro até ao fim. Pode não ser o livro da minha vida mas só tenho a certeza se chegar à última página. Até pode ser um livro “chato de morte” mas eu leio-o até ao final. É um desafio mas é também um descanso saber que dei todas as oportunidades a um livro que afinal (ou não) até valia a pena. Às vezes os finais são verdadeiras surpresas. Além que desistir rapidamente é o sinal que só os fracos emitem. Assim, viro a última página e posso dizer “Gostei” ou “Não gostei mesmo nada”. Com completo conhecimento de causa. Não gosto de colocar livros em espera. E quando os arrumo é de vez.

 

Por que raio havia de deixar um livro nas páginas iniciais? Ou a meio? E arrumá-lo na prateleira? Não me consigo imaginar sentada na sala, vê-lo arrumado todos os dias e saber que ele me estaria a observar. A observar silenciosamente. Acreditando que eu tinha desistido dele. Ou que voltaria a pegar nele quando me apetecesse. Se me apetecesse. Ou simplesmente deixá-lo a esperar por mim até que eu estivesse suficientemente madura para o compreender na sua plenitude...

 

É que um dia é perfeitamente possível que alguém entrasse em minha casa e me o pedisse emprestado. Eu emprestava. Podia nunca mais me ser devolvido. Estaria perdido para sempre. Porque não lhe tinha dado a atenção certa na altura certa. Perdido de vez. É que há livros que nós colocamos na prateleira mas outros estão desejosos de ler!

 

O problema da minha amiga é que aparentemente ela é o livro certo. Ele só leu os primeiros capítulos e gostou. Mas não quer ler tudo de uma só vez. Nem quer ler já. Ele quer deixar o livro certo para ler na altura certa. E tem esperança que o livro fique na prateleira, sossegadinho e à espera que lhe dê vontade... Sinceramente, se eu fosse livro arranjava forma de cair noutras mãos!

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publicado às 22:30



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