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Meu querido diário!

por reporterdesaltosaltos, em 05.10.11

Tenho uma amiga que diz que estou sempre a colocar questões. Que sou muito interrogativa. Andei então a rever os meus posts e cheguei à conclusão que de facto ela tem razão. Mas se eu tenho questões existenciais tenho de as colocar de alguma forma. A mim e aos outros. Mais não seja “espanto os fantasmas” enquanto escrevo/falo neles. Desta vez, a minha questão é, se eu tivesse um diário como é que ele seria?

 

Meu querido diário,

 

Acordei às 7 horas e para não variar deixei o despertador tocar 5 vezes (de cinco em cinco minutos) até me mentalizar que não era Sábado e tinha mesmo de me levantar da cama. Fui à casa de banho, vesti a roupa (sempre) preparada na noite anterior. Se tiver de escolher roupa de manhã, muito provavelmente vou trabalhar de saia às riscas com camisa às bolas e um sapato de cada cor. Esta dos sapatos até já me aconteceu umas quantas vezes. É a minha obsessão em comprar tudo o que gosto em degradé... E depois pela manhã não consigo distinguir as cores!

 

Coloco a minha pulseira preferida e faço os meus agradecimentos/oração. Preparo o pequeno almoço, invariavelmente chocapic com outro cereal (estrelitas ou assim) e tento não entornar o leite. Porque é o único sinal que o meu dia pode correr mal, se eu me deixar levar para a sintonia errada. Preparo o almoço, sento-me no sofá a comer e vou espreitar 5 minutos da Ally MacBeal na FOX. 7:45H estou a sair de casa para entrar num carro que felizmente pega todos os dias. Ligo o rádio no máximo na MIX. O quê a Mix acabou? Agora é Smooth? Também acho fantástica mas para momentos glamorosos. Ok, vamos ouvir a Orbital que também está sempre a “bombar”. Acelero quase a fundo para ficar 15 minutos na fila para entrar na ponte. Eu sei que vou chegar aquele preciso local e parar mas até lá tenho de ir a abrir!

 

Na fila. Direita ou esquerda? Hoje teremos aqui muitos espertalhões? Ok, esquerda que é sempre mais rápido. Maquilho-me. Tira olheiras, sombra. O tipo atrás de mim apita. Quase enfio a máscara de pestanas numa vista. Faço-lhe sinal pelo espelho. O que é que queres, pá? Nunca te pintas no trânsito? Isto chama-se gestão de tempo! Blush. Gloss. O que não serve de nada porque antes da portagem já desapareceu. E juro que não sei como nem para onde! Pisca para direita. Sorri Vera! Sorri! É o tipo mais feio que já viste mas vai deixar-te passar para a fila dele. Chego à portagem e não tenho fila! Via Card seus burros! Via Card! Qual via verde qual quê!

 

Ponte a abrir. A5 à abrir. Portagem de Porto Salvo. Onix (lol) não tenho moedas! Posso pagar 30 cêntimos com cartão? Obrigada. Acelero. Entro na garagem. Estaciono o meu carro minúsculo num lugar minúsculo. Partilho da ideia que só fui promovida porque o meu carro era o único que cabia ali... Elevador sobe depressa! Chego a tempo. E ninguém percebe como. Nem eu! Ligo o computador, deixo os mails a descarregar. Carla vamos embora! Teresa vamos embora! Café numa copa de 1 metro quadrado, risada, risada, risada. Pronto agora é a sério. Vamos trabalhar!

 

E lá começa. Mails normais, mails esquisitos. Cuidado é “fishing”! Vera! Lá vou eu! Mais mails. Word, excel, power point, sap srm, sap, mercury. Agenda, reagenda, reagenda de novo. Mas este telefone não pára? Mais mails. Tickets, tickets, tickets! Juro que vou comprar um dispensador de senhas com as cores do arco-íris. Plataforma X, plataforma Y, plataforma sei lá. Onix! Onix! Lê mais mails, responde a mais mails. Recolhe assinaturas! Carla, Teresa, vamos almoçar? Ok, só mais 2 minutos. Só mais 2 minutos. Só mais 2 minutos. E lá vamos fazer a dança da cadeira (sem cadeiras) na copa. Onix agora somos mais. Anda para aqui. Deixa-me passar. Posso ir ao frigorífico? Abre a porta que parece que estamos na sauna! Ingiro as calorias e perco-as ao mesmo tempo! Eu vou andando. Onix, eu também. Lá em baixo, ok?

 

 

Gargalhada, gelado, gargalhada! Felizmente há colegas assim! E recomeça. Mails normais, mails esquisitos. Cuidado é “fishing”! Vera! Lá vou eu! Mais mails. Word, excel, power point, sap srm, sap, mercury. Este telefone não pára! Mais mails. Tickets, tickets, tickets! Vamos lanchar. Voltamos do lanche. Plataforma X, plataforma Y, plataforma sei lá. Onix! Onix! Lê mais mails, responde a mais mails. Recolhe assinaturas! 17:45H. Shut down sim senhor! Até amanhã. Fui!

 

18:00 horas. A5 a abrir, música no máximo! Onix está a ficar trânsito. Eu não sou de cá, venho da Lourinhã e até chegar mesmo à saída que preciso, não sei quem sou, não sei onde estou, e de repente vejo uma placa que me obriga a entrar na fila como quem não quer a coisa. Os carros apitam. Eu faço sinais. O que é pá? Nunca se enganaram no caminho? Uma vez ou outra, tipo todos os dias... Hoje é que dia? Vou para onde? Workshop de cinema ou natação? Ligo à minha mãe. Ligo à Nádia. Respondo a mensagens esquecidas ao longo do dia. Não deu tempo. Sorry! Sim, sim, hoje tenho cinema. Que bom! Não, hoje tenho natação! Nádia, estás pronta? Vou a casa e já te vou buscar! Olá mãe, tem de ser rápido já vamos mesmo em cima da hora!

 

Nado. Agora crawl, depois costas, segue-se mariposa e depois as figuras tristes habituais de quem não se ajeita a nadar como um sapo – bruços! Faço umas piscinas na ronha. Dói aqui. Dói ali. A hora passa. A Nádia nada ao meu lado. Mergulhamos e brincamos. Se for segunda e quarta estou a ver filmes antigos. Fascinante! O António-Pedro Vasconcelos é grande. Grande mesmo! Tem mais de 1,95m. E é grande porque é brilhante. Brilhante! E tenho ataques de nostalgia centrados no “Casablanca”. E no preto e branco, nas transparências e no travelling. Naquele glamour de um tempo que não vai voltar...

 

21:30 estou a chegar a casa. De rastos! Janto. Sempre sopa, fruta e mais qualquer coisa. Tomo duche, lavo os dentes, estico o cabelo. Anti-rugas e cama! Vá aguenta só mais meia hora Vera! Tu consegues! Sim! Leio durante cerca de meia hora, altura em que começo a saltar as linhas como se estivesse a saltar à corda. Volto a trás. Uma. Duas. Três vezes. Ok, já não consigo pensar. Amanhã há mais. Acho que vou zzrrrrrrrrrrrrrrrr!

 

Deve ser por isto que eu nunca escrevi um diário. Demorei três dias para escrever apenas um! Acho que em miúda me ofereceram alguns diários mas não me lembro de escrever grande coisa. Acho que me limitava a escrever o nome e a data. Ou então escrevia um dia ou dois dias, relia passado algum tempo e não me deve ter soado bem. Acabei por arrancar as folhas. Disso sim, tenho provas. Será que alguém ainda escreve diários? Cá está, Sónia. Mais uma pergunta! Tens toda a razão...

 

Acho que vou ver o “Casablanca” agora mesmo...

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publicado às 19:55



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