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Dança Este Som!

por reporterdesaltosaltos, em 21.09.11

Sempre tive um elevado nível de energia - há quem diga que em demasia - mas antes de fazer 30 anos, todas as pessoas me diziam “Depois dos 30 é que tu vais ver como elas te mordem!”. E começavam a fazer a lista de doenças, estados psicológicos, incapacidades temporárias e permanentes do pós 3.ª década. No fundo, resumiam numa lista os sinais do tempo que a minha própria avó Amélia só faria por volta dos 99 anos. Gosto de ver o lado positivo da idade e pode até nem pesar Kg mas sem dúvida que pesa algumas gramas a mais. Aos poucos comecei a identificar pequenas alterações físicas, psicológicas, socioculturais. Umas muito positivas. Outras nem tanto. Num panorama realista, como é que sabemos que o tempo está a passar?

 

Noitadas. Eu aguento bem. Mas por volta das 3:30H começo a perguntar-me porque é que estou no meio do fumo, rodeada de gente bêbeda.

Deitar a seguir à noitada. Já não consigo dormir 12 horas seguidas e acordar fresca como uma alface. Durmo 3 horas no máximo! Acordo como se estivesse dentro de um avião prestes a despenhar-se. Fico o dia todo cansada mas não consigo dormir. Sinto-me tão atordoada como se tivesse bebido 2 cafés num só dia!

Se tiver bebido álcool. Sou a pessoa mais amistosa à face da terra. Os meus amigos são irmãos de sangue! Os desconhecidos são como amigos de infância! Do peito! Chego à cama e adormeço em 3 segundos... No dia seguinte tudo e todos me cheiram a vodka.

Noite a seguir à noitada, tendo bebido ou não. Apago completamente por volta das 21H!

No geral. As olheiras já não são olheiras. São manchas negras, do tipo derrame de petróleo e chegam até aos joelhos. Os olhos acordam inchados. Passo a primeira meia hora de óculos escuros. Mesmo com chuva. É chique e pronto! Acordo com a marca dos lençóis na cara. Demora séculos a desaparecer.

Os joelhos e articulações em geral. Três segundos em esforço e já fazem barulho para voltar ao normal. Como as portas das casas assombradas...

Levantar pesos. Para voltar à posição inicial tenho de colocar a mão nas costas...

Dançar uma noite inteira. Acordo a pensar que fui atropelada por um camião. Tenho dores em músculos que não me lembrava que tinha.

Visão. Piorou mas pelo menos uso lentes. Assim não volto a achar que o tipo mais feio (ao perto) é o mais giro (ao longe) do bar. E não tenho de fingir que estava a olhar para a pessoa que estava atrás dele. Lá ao longeeeeeeeeeeeeeeeeeeee.

Cabelo. Um cabelo branco. Não, não nascem sete por cada um que se arranca. Estou sempre a arrancar o mesmo. Está sempre a crescer o mesmo. Sacana!

 

 

Termóstato completamente avariado. Se tenho frio estou gélida. Se tenho calor, sinto que tenho lava nas veias em vez de sangue. Hot. Hot. Hot.

TPM. Coisa que eu não tinha, nem acreditava que existia. Pensei que era “fita” das mulheres. Tudo o que me dizem é rapidamente mal interpretado.  Em menos de 1 segundo posso transformar-me num furacão ou ter vontade de chorar como se o mundo estivesse a acabar. Não choro. Mas às vezes tenho muita  vontade. O pior é que sem qualquer razão... Transformei-me numa sensivelzinha.

Quando ia à disco em miúda chamavam-me pita. Eu chamava cota a quem o fazia. Agora sou eu quem chama as miúdas de pitas. São elas que me chamam de cota. Bem, não chamam porque eu estou muito bem conservada para os meus 32. Em muitos casos e modéstia à parte, estou muito melhor que elas com 20...

As pessoas mais novas (não assim tão mais novas) tratam-me por você. O que me irrita solenemente porque a minha avó dizia sempre “Você é estrebaria!”.

Moda. O retro está na moda. A roupa que eu já não gostava na altura (80 e 90) está de volta. Depois escapa-me algo do género “Já tive uns assim. Ai há uns 20 anos!”.

A música é pior. Todas as músicas que eu gosto (ouçam a mix) são versões da minha adolescência. Alguém comenta que gosta e eu digo “Eu também. Adoro esta música. É tão antiga.”

Encontrar amigos de infância. Inevitáveis as frases “Bem já não te via há séculos. Nós já nos conhecemos há quê? Uns 20 anos?”

Digital. Parece que o pessoal novo não usa a palavra. Só a usa quem sabe o que foi o analógico. Delete. Delete. Delete.

Facebook. Só lá vou colocar os meus posts. Raramente comento. Tenho de me perder por lá umas horas. Por que quem não percebe muito daquilo começa a conversa “Sabes explicar-me como é que...”

Um acontecimento muito pessoal e bastante gritante. Numa festa de Verão, a meio da noite tudo parou e avançou - quase a correr - para um lado do bar. Começa tudo aos gritos “TT, TT, TT”. Eu pergunto “Estão a gritar por causa de um Audi? Mas há algum sorteio?” Era um cantor...

 

O positivo que supera todos os negativos supracitados:

Sinto mais energia e mais positiva do que em qualquer outra altura.

A libido aumenta. Muito! Tssssssssssssssss!

Os complexos foram-se! Sou capaz de usar rosa fúcsia e o arco-íris todo (atenção, uma cor de cada vez) e mini mini mini mini saia (sem parecer ridícula ou a querer recuperar a juventude)

Dormir 7/8 horas basta. Acordo espectacular!

Cuido mais de mim e do meu corpo.

Sinto-me mais feminina.

Sinto-me bem resolvida. E de bem com a vida.

Mais segura, serena e emocionalmente a estabilizar.

Sinto-me ainda mais destemida mas mais cautelosa.

Penso pelo menos vez e meia antes de dizer um disparate.

Consigo fazer mais coisas ao mesmo tempo. De resto, capacidade exclusiva das mulheres...

Tenho mais coragem para experimentar coisas novas.

“Dar” passou a fazer sentido. Muito mais do que receber.

O sentimento de gratidão com a vida é muito maior.

Rio muito mais. A vida é muito mais divertida.

Nada negativo do que me possam dizer me afecta.

Noitadas. Deixam de ter qualquer importância...

E já que falamos nisso, aqui fica o TT...

 

http://www.youtube.com/watch?v=fcVc5_Q-WOY

 

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publicado às 00:48



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